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Richard
Simonetti é de Bauru,
Estado de São Paulo. Nasceu em
10 de outubro de 1935.
Filho de Francisco Simonetti e Adélia
M. Simonetti. Casado com Tânia Regina
M. S. Simonetti.
Tem quatro filhos: Graziela, Alexandre,
Carolina e Giovana.
Participa do movimento espírita
desde 1957, quando integrou-se no Centro
Espírita "Amor e Caridade",
que desenvolve largo trabalho no campo
doutrinário de assistência
e promoção social.
Articulou o movimento inicial de instalação
dos Clubes do Livro Espírita, que
prestam relevantes serviços de
divulgação em dezenas de
cidades.
É colaborador assíduo de
jornais e revistas espíritas, notadamente
"O Reformador", "O Clarim"
e "Folha Espírita".
Funcionário aposentado do Banco
do Brasil, vem percorrendo todos os Estados
brasileiros e alguns países em
palestras de divulgação
da Doutrina Espírita.
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Entrevista
- Folha Espírita
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1.
Conte um pouco da sua história
pessoal e faça uma resumo de seu
envolvimento com a Doutrina Espírita.
Tive a felicidade de nascer em lar espírita.
Meus pais trabalharam como médiuns.
Minha mãe esteve ligada ao Centro
Espírita Amor e Caridade, de Bauru,
durante décadas. Tomado pela timidez,
pouco freqüentei a tradicional evangelização
infantil e efêmera foi minha passagem
pela Mocidade Espírita, que deixei
de freqüentar a partir do momento
em que me escalaram para a breves comentários
em torno de tema doutrinário. Amarelei.
Em 1957, com 22 anos, já no movimento
adulto, decidi enfrentar o público,
numa reunião que me parecia freqüentada
por uma “multidão”.
Eram perto de 30 pessoas. Passava mal.
Torcia por um temporal que reduzisse drasticamente
o comparecimento. Com o tempo fiquei “sem
vergonha”. Tenho passado minha experiência
para jovens tímidos, como eu, procurando
demonstrar que tudo depende de nosso esforço
e a coragem de enfrentar nossas limitações.
Com o tempo adquirimos a autoconfiança
que nos permite enfrentar com tranqüilidade
qualquer público.
2
– E os livros? Como explica seu
envolvimento com a literatura espírita,
com 34 livros publicados?
No dia 19 de fevereiro de 1957 fiz meu
début como expositor espírita.
Ainda com as pernas bambas, mas aliviado
porque a provação terminara,
ouvi minha mãe ler vidências
que anotara durante a reunião.
Duas relacionavam-se comigo. Observou
um jovem que saia alegremente de uma livraria,
sobraçando muitos livros, e um
mentor dfa casa a entregar-me uma chave
e um punhado de folhas de papel em branco.
Hoje entendo que havia um compromisso
com a literatura espírita. Os livros
representavam o convite ao estudo; a chave,
uma abertura para uma nova atividade,
nas folhas de papel em branco, que se
transformariam em livros. Em 1963, despretensiosamente,
remeti um artigo para o Dr. Wantuil de
Freitas, Presidente da FEB, aventado a
possibilidade de aproveitamento na revista
Reformador. Para minha surpresa, foi publicado,
dando início ao meu trabalho como
escritor. Desde então, tenho a
honra de pertencer ao quadro de articulistas
desse que é o nosso mais importante
periódico espírita. Aquele
artigo, Medicina Pioneira, abre Para Viver
a Grande Mensagem, meu primeiro livro,
editado pela FEB, em 1970, graças
à generosidade de seu presidente.
3
– O que representa o Espiritismo
em sua vida?
O Espiritismo é a própria
vida a circular em nossas veias, sustentando-nos
o bom ânimo, na medida em que define
os porquês da existência,
de onde viemos, por que estamos na Terra,
para onde vamos, rumo a gloriosa destinação.
4
– Como deve ser a atuação
do espírita na sociedade?
Há um termo em moda: cidadania.
Ressalta-se o exercício da cidadania
como a reivindicação de
nossos direitos perante a sociedade. Na
verdade o termo é bem mais amplo,
envolvendo, sobretudo, nossos deveres.
O Espiritismo enfatiza justamente esse
aspecto, ajudando-nos a superar o egoísmo
milenar que inspira o “viver para
si”, entendendo que é preciso,
sobretudo, “viver para os outros”,
cumprindo a orientação de
Jesus. O Mestre deixou bem claro que edificaremos
o Reino de Deus na Terra na medida em
que estejamos dispostos a fazer pelo semelhante
o bem que gostaríamos nos fosse
feito.
5
– Como está o movimento espírita?
Depende do enfoque. Se considerarmos a
ação social espírita,
vai muito bem. Embora sejamos uma minoria,
o trabalho social espírita ombreia-se
com as religiões majoritárias,
o que significa que fazemos b em mais,
proporcionalmente. Se considerarmos a
divulgação da doutrina,
fundamental ao cumprimento de seus objetivos,
estamos mal. Somos acanhados e reticentes
quando se trata de unir esforços,
envolvendo revistas, jornais, radio, televisão…
há muito deveríamos ter
um canal de televisão e periódicos
espíritas consistentes nas bancas
e livrarias.
6
– O que deve ser feito para que
o Espiritismo seja melhor divulgado?
Fundamentalmente, que nos envolvamos tanto
com a divulgação da Doutrina
quanto estamos envolvidos com o trabalho
filantrópico. Estamos superando
o estagio de mero atendimento de necessidades
imediatas para a promoção
dos assistidos, naquele “entinar
a pescar”, além de “dar
o peixe”. Isso é ótimo.
Não obstante, mais importante que
promover o homem perecível é
conscientizar o Espírito imortal
em trânsito pela Terra. Por isso
Emmanuel proclama que a maior caridade
que podemos praticar como espíritas
é a própria divulgação
da Doutrina. Creio que sempre ajudará,
nesse particular, usarmos a imaginação.
Foi o que fizemos em Bauru, em 1976, iniciando
uma ampla campanha de instalação
de Clubes do Livro Espírita, um
ovo de Colombo da divulgação
espírita, que entrega mensalmente,
aos associados, livros espíritas
especialmente selecionados, a preço
reduzido. Hoje há dezenas de CLES
em nosso país e o número
só não é bem maior,
porque os dirigentes espíritas
não para pensar no potencial dessa
idéia tão simples na execução,
e de resultados tão amplos na realização.
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Minhas
Raizes –
31 01 2004
Para Jornal Italiano
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Sou
italiano da gema. Meus avós paternos
e maternos vieram da Calábria,
no final do século dezenove, instalando-se
em Bauru SP, cidade de 350.000 habitantes,
onde nasci e resido.
Do lado materno, família Marchioni.
Meu avô Valentim era açougueiro.
Seu estabelecimento funcionava na frente
de sua casa. Era caridoso e liberal. Seus
funcionários almoçavam à
mesa com ele e os pobres que o procuravam
nunca saiam sem um pedaço de carne
para a refeição. Teve oito
filhos, dentre eles Adélia, minha
mãe.
Do lado paterno, família Simonetti.
Não conheci meu avô, Afonso,
que faleceu novo, com trinta e poucos
anos, deixando seus 8 filhos aos cuidados
de minha avó, Helena, mulher pequenina,
mas muito decidida e atuante, que sustentou
a família com o comércio
de tecidos e confecções.
Meu pai, Francisco, era enfermeiro, à
profissão e extremamente caridoso.
As duas famílias se adaptaram maravilhosamente
ao Brasil. Os patriarcas e quase todos
seus filhos já faleceram, mas filhos,
netos, bisnetos e tataranetos multiplicaram-se
e estão espalhados por várias
cidades, ostentando seus os honrosos sobrenomes
italianos, um pouco da Itália em
nosso país.
Quanto a mim, funcionário aposentado
do Banco do Brasil, sou presidente do
Centro Espírita Amor e Caridade,
de Bauru, entidade que realiza amplo trabalho
de divulgação da Doutrina
e exercício da filantropia, com
perto de 800 voluntários e atendimento
de perto de 25.000 carentes, anualmente.
Nas horas vagas tenho me dedicado à
literatura espírita, com 37 livros
publicados, dentro os quais destacaria
os estudos dobre o Livro dos Espíritos,
em cinco volumes e sobre o Evangelho,
em seis volumes, um trocar em miúdos
dessas obras fundamentais. Recentemente
foi publicado meu livro Mediunidade, tudo
o que você precisa saber e atualmente
os preparativos para o lançamento
do livro Abaixo a Depressão!.
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