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Entusiasmada
com a revelação que lhe fora
feita por um médium, a senhora comentou:
– Chico, recebi uma notícia
maravilhosa!
– O que foi, minha irmã?
– Minha identidade nos tempos apostólicos!
– Beleza!
– Fui mártir. Estive no Circo
Romano. Morri devorada por um leão!
Ante a admiração do médium,
perguntou:
– E você, Chico, já sabe
quem foi?
– Ah! minha irmã, sei sim…
– E daí? Estou curiosa…
– Fui a pulga do leão.
***
O episódio, que nos fala da humildade
e do bom-humor de Chico, remete-nos a uma
curiosa tendência, relativa às
famosas revelações.
Geralmente, o iluminado foi rei, rainha,
estadista, cientista, artista famoso…
Sempre alguém importante, que se
destacou em determinado setor de atividade.
Não se ouve falar de lixeiro, operário,
camponês, homem do povo…
Detalhe relevante, nesse assunto, amigo
leitor:
Considerando que os que se destacam na política,
nas artes, na religião, constituem
minoria, certamente há algo de equivocado
nessas revelações que privilegiam
todos os consulentes.
A experiência demonstra que são
produzidas por médiuns ou Espíritos
espertos, interessados em incensar a vaidade
das pessoas, a fim de conquistar sua confiança
e admiração.
Raros não sentem inflar o ego ante
a informação de que foram
figuras destacadas, em pretéritas
existências.
Daí sua disposição
em oferecer créditos de cega confiabilidade
em favor desses “reveladores”.
***
Não é prudente, portanto,
nem conveniente, estarmos devassando o passado,
à procura de títulos e honrarias.
Destaque-se que a simples estima por notícias
dessa natureza é um atestado negativo.
Os Espíritos esclarecidos, que realmente
ofereceram contribuições marcantes,
aqueles que deixaram a Terra melhor do que
a encontraram, não se interessam
por glórias do passado.
Importa-lhes as realizações
do presente, dando o melhor de si mesmos
em favor do progresso e do bem-estar da
Humanidade.
***
Mesmo sem procurar por revelações,
podemos ter uma idéia do que fomos,
analisando nossas tendências, nossa
maneira de ser.
Mas, é preciso cuidado para não
interpretar de forma equivocada os sinais.
Alguns exemplos:
•
Gostar de roupas elegantes e caras.
Suposição: dama da realeza.
Realidade: costureira de modista.
•
Apreciar finas iguarias.
Suposição: rico e refinado
gourmet.
Realidade: cozinheiro.
•
Estimar a solidão.
Suposição: filósofo.
Realidade: longo e solitário estágio
no Umbral.
•
Apreciar viagens.
Suposição: desbravador de
terras novas.
Realidade: caixeiro-viajante.
•
Amor à primeira vista.
Suposição: reencontro com
alma gêmea.
Realidade: paixão delirante.
Mais interessante deixar o terreno das suposições
e encarar a realidade.
Se Chico dizia-se a pulga do leão,
é bem provável que tenhamos
sido um Dipylidium caninum, o verme da pulga.
Livro
Rindo e Refletindo com Chico Xavier
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