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O
Universo é criação
de Deus.
Abrange todos os seres racionais e irracionais,
animados e inanimados, materiais e imateriais.
Desde que começou a olhar o céu
e a contemplar as estrelas, o Homem sonha
devassar os mistérios do Universo.
Quando e como tudo começou?
Durante séculos, particularmente
na Idade Média, em tempos de obscurantismo,
prevaleceram teorias religiosas inspiradas
na mitologia.
A razão cedera lugar à fantasia.
Os conceitos bíblicos, base do pensamento
religioso ocidental, sugeriam que Deus criou
o Universo em seis dias, incluindo o primeiro
casal: Adão, a partir do barro, e
Eva, de uma costela que lhe foi subtraída.
Essa situação prevaleceu praticamente
até o século XVII, quando
a Ciência começou a livrar-se
das amarras impostas pela teologia atrelada
ao poder temporal, acelerando paulatinamente
seu desenvolvimento, até atingir
as culminâncias atuais.
Modernas pesquisas científicas demonstram
que o Universo é muito mais velho
do que sugere a cronologia bíblica,
que situa o início de tudo há
aproximadamente quatro mil anos.
***
Uma das dificuldades da Astronomia, base
dos estudos sobre as estruturas do Universo,
é a distorção imposta
pela atmosfera, um manto etéreo que
envolve a Terra, algo semelhante a observar
uma árvore do fundo de uma piscina.
Essa limitação foi superada
pelo telescópio Hubble, prodígio
da moderna tecnologia, colocado em órbita
terrestre, acima da atmosfera. Controlado
por poderosos computadores, fotografa astros
que estão a bilhões de anos-luz
da Terra, o que significa que o Universo
tem no mínimo essa idade.
O leitor não familiarizado com o
assunto certamente questionará o
que tem a luz das estrelas a ver com a idade
do Universo.
Simples:
A visão é um fenômeno
luminoso.
A luz reflete-se no ambiente, conduzindo
imagens luminosas que são captadas
pelos olhos e decodificadas pelo cérebro.
É por isso que sem luz não
há visão.
Assim, quando olhamos as estrelas, estamos
contemplando o passado. Se fotografarmos
uma situada a cinco mil anos-luz a foto
registrará a imagem luminosa que
viajou 50 séculos, à espantosa
velocidade da luz (trezentos mil quilômetros
por segundo) para nos dar notícia
de sua existência, onde estava e como
era há cinco milênios.
Talvez nem mais exista, já que as
estrelas, como os seres humanos, também
morrem. Fachos celestes, apagam-se lentamente,
à medida que se esgota a energia
que consomem.
É o que ocorrerá com o nosso
Sol.
Não se preocupe, leitor amigo.
Levará alguns bilhões de anos.
Até lá descobriremos outro
lugar para morar, em planos etéreos,
superado o ciclo das reencarnações
terrestres.
Fácil concluir, levando-se em consideração
como funciona a visão, que qualquer
estrela observada indica que o Universo
tem pelo menos a idade correspondente ao
tempo que a luz emitida leva para nos trazer
sua imagem.
***
Desde as primeiras décadas deste
século inúmeras teorias foram
desenvolvidas, tentando-se explicar a origem
de tudo.
A mais consistente, com evidências
científicas, é a do big-bang.
Há perto de quinze bilhões
de anos, teria ocorrido uma grande concentração
de energia em determinada região
do Cosmos. Atingido um ponto de saturação,
houve a grande explosão, mais exatamente
uma imensa expansão de energia que,
condensando-se, deu origem à matéria,
produzindo as nebulosas, nuvens de gases,
berço das galáxias, que são
imensos aglomerados estelares.
Aparelhos de grande precisão demonstram
que as galáxias estão se expandindo,
como que obedecendo ao impulso de uma grande
explosão.
Daí o big-bang.
***
Com relação aos seres vivos,
sabe-se hoje que tudo começou a partir
de organismos extremamente simples, unicelulares,
após o esfriamento da crosta terrestre.
Submetidos a sofisticados mecanismos evolutivos,
lentamente desenvolveram-se, multiplicaram-se,
diversificaram-se, em incontáveis
espécies, num período de bilhões
de anos, até atingir a complexidade
necessária ao aparecimento do Homem.
O ser pensante é o ápice da
evolução biológica.
Quando essa teoria foi lançada por
Charles Darwin, biólogo inglês,
em 1859, na Inglaterra, causou furor.
Houve reações violentas das
religiões de um modo geral, contra
aquele inglês alucinado e atrevido,
que pretendia destruir a Bíblia,
situando o ser humano como mero parente
dos macacos.
Mas, assim como aconteceu em relação
aos avanços da cosmologia, a ciência
inexorável acabou confirmando que
Darwin estava certo.
Hoje, em qualquer curso secundário
a Teoria da Evolução é
apresentada como lei natural demonstrada
e comprovada.
E mais – há provas científicas
hoje de que o Homem surgiu na Terra há
pelo menos um milhão de anos, bem
antes do que sugere a Bíblia.
***
O grande temor do pensamento religioso conservador
é de que os avanços científicos
acabem por eliminar a idéia de Deus,
impondo uma concepção materialista.
O Espiritismo nos ensina que não
devemos temer a Ciência. Não
obstante seus desvios, ela é de inspiração
divina.
Embora separadas no estágio atual,
Ciência e Religião caminham
em linhas paralelas que fatalmente se encontrarão,
quando os religiosos forem mais racionais
e os cientistas menos pretensiosos.
E há perguntas que a Ciência
jamais conseguirá responder, enquanto
não aceitar a existência de
um Criador.
Admita-se que o Universo começou
a partir de uma grande concentração
de energia que deu origem ao big-bang.
E daí? Quem produziu essa energia?
Quem instituiu as leis que regem a matéria?
A matéria, normalmente entrópica
– tende à desordem –,
organiza-se, favorecendo o aparecimento
da vida, que se multiplica e se desenvolve,
até produzir um ser capaz de exercitar
a razão.
Quem a programou para isso?
Na criação da matéria,
na sustentação das leis naturais
e na perfectibilidade dos seres vivos, forçosamente
há um idealizador, um planejador
e executor.
O cientista, irracionalmente, fantasiará
– acaso.
O religioso, inteligentemente, equacionará
– Deus.
***
Pessoas há que, olhando as misérias
humanas, as injustiças sociais, a
confusão do Mundo, questionam:
– Se Deus existisse, justo e sábio
como o exaltam, nada disso deveria acontecer.
É que na Terra enxergamos precariamente.
Observamos detalhes do programa divino,
sem uma visão abrangente e objetiva.
Se abrirmos um ovo choco ficaremos nauseados
com aquela massa disforme, sanguinolenta,
e o odor fétido.
Mas, se esperarmos alguns dias e deixarmos
a Natureza seguir seu curso, veremos um
dos fenômenos mais belos da Vida:
A casca do ovo será rompida de dentro
para fora e surgirá adorável
pintainho.
O mesmo acontece com os homens, nesta incubadora
divina que é a Terra.
Habitantes de Mundos mais evoluídos
que nos visitem, ficarão horrorizados
com os resquícios de animalidade
que prevalecem em nosso comportamento, sustentando
a confusão das coletividades e o
sofrimento das pessoas.
Todavia, trata-se de mera contingência.
Criados para a angelitude, estamos “em
gestação”, às
voltas com os complexos mecanismos de nossa
evolução.
Um dia, daqui a milhares de anos, quando
a Humanidade houver completado sua formação
espiritual, superando a animalidade, “nasceremos”
finalmente, cumprindo gloriosa destinação,
rumo à angelitude.
***
Se você, leitor amigo, situa-se entre
as pessoas infelizes, doentes, deprimidas,
desorientadas, que procuram alívio
no Espiritismo, talvez possam parecer-lhe
ociosas, distantes de seu interesse e de
suas necessidades, essas informações
relacionadas com o Universo e a Vida.
Gostaria, talvez, que tudo fosse mais simples
e direto. Que pudesse conquistar a paz na
Terra e as bem-aventuranças no Céu,
efetuando contribuições para
os serviços religiosos ou submetendo-se
a ritos e rezas.
A Doutrina Espírita ensina diferente.
Males variados que nos afligem são
decorrentes de nossas imperfeições
e mazelas.
Por isso, para superá-los é
preciso alargar os horizontes de nosso entendimento,
definindo por que estamos usando um escafandro
de carne, mergulhados na matéria
densa.
Consideremos, nesse aprendizado, algo fundamental:
O nascer da Humanidade para as glórias
da Criação poderá levar
milênios, com a promoção
de nosso planeta na sociedade dos Mundos.
Não obstante, individualmente, podemos
nascer desde a presente encarnação,
a partir de três iniciativas fundamentais:
O estudo, buscando uma visão objetiva
do Universo e da Vida.
A reflexão, o empenho de fazer repercutir
o conhecimento em nosso comportamento, procurando
padrões mais nobres, mais espiritualizados.
A prática do Bem, em todos os momentos
de nosso dia, na vivência do sagrado
princípio evangélico, enunciado
por Jesus, registrado por Mateus (capítulo
V), que resume a Lei e os Profetas, segundo
o Mestre, isto é, resume todo o conhecimento
passível de nos realizar como filhos
de Deus:
Tudo o que quiserdes que os homens vos façam,
fazei-o assim também a eles.
Livro Espiritismo, uma Nova Era
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