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Cartas enviadas a Revista Super Interessante sobre a reportagem de Chico Xavier

Cartas enviadas a Revista Super Interessante sobre a reportagem de Chico Xavier

Cartas enviadas a Revista Super Interessante sobre a reportagem de Chico Xavier

 

Para quem não leu a reportagem copie o link abaixo e cole na barra de navegação.

http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/revista-super-interessante-tenta-humilhar-a-imagem-de-chico-no-seu-centenario/?PHPSESSID=f91169c0a2ab88ce1dcb3dbf37b24a27

 

Clique nesse link e veja a análise técnica da reportagem

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=585FDS008

 

Carta 1 - Richard Simonetti

Carta 2 - Alexander Moreira Almeida - citado na reportagem como fonte de pesquisa

Carta 3 - Alexandre Caroli Rocha - citado na reportagem como fonte de pesquisa

 

 

 

Carta 1 - Enviada por Richard Simonetti

Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante

Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.
Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.
Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.
Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.
De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”
Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.
Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.
E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?
Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.
Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.
A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.
E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.
Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?
Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!
Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.

 

Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010.

 

 

Carta 2 - Enviada por Alexander Moreira Almeida
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Alexander Moreira-Almeida <alex.ma@ufjf.edu.br>
Data: 13 de abril de 2010 14:29
Assunto: Matéria em que sou citado na Superinteressante
Para: sgwercman@abril.com.br


Caro Sérgio Gwercman
Diretor de Redação da Superinteressante

Escrevo-lhe sobre a matéria a respeito de Chico Xavier, para a qual fui contatado diversas vezes pela repórter Gisela. Na longa conversa telefônica que tivemos e nos e-mails que trocamos procurei auxiliá-la do melhor modo possível na execução de uma matéria cientificamente isenta e bem informada. Como coordenador do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, este era o meu papel.

No seu editorial da Superinteressante deste mês, você fala que uma boa reportagem deve ter respeito e não reverencia, que o jornalismo exige a coragem de fazer perguntas. Concordo plenamente, mas se um bom repórter deve ter a coragem de fazer perguntas incômodas, deve também ter a coragem ainda maior de ouvir e levar seriamente em consideração as respostas, mesmo que não estejam de acordo com a opinião do repórter. Caso contrário, infelizmente, se confirmará o que o meu supervisor de pós-doutorado na Duke Univeristy nos EUA, uma vez me disse: "quando um repórter vai te entrevistar, ele geralmente já tem a matéria e as conclusões na cabeça dele, ele apenas vai buscar na sua entrevista algumas frases que dêem autoridade ao que ele quer escrever". E veja que esta opinião vem de um pesquisador líder no mundo e que já deu centenas de entrevistas aos mais importantes órgãos de imprensa do mundo. Infelizmente esta opinião dele parece ter sido o caso na matéria sobre o Chico Xavier publicada na SUPER.

Não vou me deter em aspectos gerais da matéria e que deveriam ser evitados em qualquer matéria de jornalismo científico respeitável, como evitar ironias, adjetivos e lançar suspeitas sem uma sustentação sólida. Me deterei apenas na parte que me diz respeito. Sou citado em um quadro sobre explicações científicas a respeito da mediunidade. De fato, eu expliquei para a repórter as possíveis explicações para o fenomenos que têm sido levantadas por cientistas, inclusive indiquei para ela uma biblioteca virtual (www.hoje.org.br/bves) onde ela poderia ver artigos cientíticos nesta área (seguem três em anexo). Algumas considerações:
- Embora ela tenha publicado que, para cientistas, a explicação não seria nem fraude, nem "palavras do outro mundo", eu incluí estas duas possibilidades nas minhas explicações. Possibilidades que são exploradas, por exemplo, nos artigos em anexo e em de vários outros pesquisadores de todo o mundo nos artigos da referida biblioteca virtual. Quem conhece pesquisas na área, sabe que estas são duas hipóteses que devem sempre ser consideradas.
- Sobre psicose, ela omitiu que a hipótese de psicose foi uma hipótese muito comum no início do século passado, mas que está desacreditada
- sobre o eletroencefalograma, enviei para a repóter dados da Liga Brasileira de Epilepsia e de vários pesquisadores enfatizando que não é possível fazer um diagnóstico de epilepsia com base apenas neste exame e ainda menos com base em um fragmento muito pequeno e sem descrição das condições em que ele foi realizado. A matéria ignorou todas estas informações para apresentar apenas o que foi publicado em uma matéria jornalistica dos anos 70, de que seria epilepsia.

Com relação às poesias psicografadas por Chico Xavier e atribuídas a poetas falecidos, indiquei que ela entrasse em contato com a maior autoridade academica na área: o prof. Alexandre Caroli Rocha que defendeu mestrado e doutorado em Literatura na Unicamp com base nos poemas e outros textos psicografados por Chico Xavier. Tive o prazer de fazer parte de usa banca de doutorado. Ela de fato o entrevistou, mas para minha surpresa ele ou as conclusões do trabalho dele não foram citados na matéria, que continha apenas um trecho em que afirma que eram "obras razoavelmente fiéis ao estilo dos autores que as assinavam", sem citar as fontes para tal afirmação.

Naturalmente que um repórter deve ter a liberdade de escrever suas opiniões, mas, principalmente em uma publicação de divulgação científica que se preze, não deve ocultar deliberadamente as informações que não condigam com suas opiniões pessoais. Todo o fruto da investigação jornalística deve ser exposto para que o leitor faça seu julgamento. Espero que estas considerações sejam úteis à Superinteressante no apimoramento de sua missão de bem informar a população brasileira realiando um jornalismo científico criterioso e responsável.

Um abraço,

Alexander

Alexander Moreira-Almeida
- Professor Adjunto de Psiquiatria e Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
- Diretor do NUPES - Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF
www.ufjf.br/nupes

Alexander Moreira-Almeida, M.D., Ph.D.
- Professor of Psychiatry, School of Medicine, Federal University of Juiz de Fora (UFJF), Brazil
- Director of the Research Center in Spirituality and Health (NUPES) at UFJF, Brazil

 

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Carta 3 - Enviada por Alexandre Caroli Rocha

 

Prezado Sérgio Gwercman,

 

Li algumas respostas que o senhor vem enviando a cartas de leitores que criticam a matéria sobre Chico Xavier na Superinteressante. Gostaria de registrar dois pontos que precisam de retificação (não que não haja outros, mas quero ater-me a dois). O senhor menciona trecho da carta de Richard Simonetti a respeito dos poemas psicografados por Chico Xavier e, para contestá-lo, cita minha dissertação de mestrado, acrescentando que fui consultado pela revista.

É verdade que fui entrevistado pela repórter, mas vocês preferiram nem citar na matéria os estudos que fiz sobre livros de Chico Xavier. E também preferiram não mencionar nenhum dos pontos que descobri em minhas pesquisas a respeito das afinidades invulgares entre textos psicografados pelo médium e a obra dos autores a quem foram atribuídos.

Estranhamente, quando responde ao referido trecho da carta de Simonetti, o senhor cita – de forma completamente descontextualizada – um trecho de minha dissertação que não vai ao encontro das principais conclusões do trabalho. Fica a impressão de que o senhor não leu a pesquisa que citou, uma vez que sua resposta apenas reproduz informação veiculada em um blog a respeito de obras psicografadas, o qual responde à própria carta de Simonetti.

Outro ponto delicado é sua resposta que tenta justificar a alegação de que Chico Xavier foi “leitor voraz” durante a vida toda (isto consta da matéria). Em suas palavras, Chico Xavier “lia bastante” (isto consta de suas respostas a leitores). Ora, evidente que ler bastante não é o mesmo que ser leitor voraz. O senhor menciona o livro da Magali Fernandes como referência. Conheço esse livro e posso afirmar que, nele, não há nenhuma indicação de que Chico Xavier fosse um leitor voraz. O livro aponta que, no final dos anos 20, início dos anos 30, ele lia almanaques literários (leitura corrente naquela época) e que, várias décadas depois, ele comprava livros em um sebo em São Paulo, quando passava pela capital. Esses dois dados não sugerem nenhuma voracidade pela leitura. Em síntese, são esses os dois pontos que, de minha parte, gostaria que fossem reconsiderados por sua avaliação de Diretor de Redação de uma revista que diz amar o conhecimento.

 

Atenciosamente,

Alexandre Caroli Rocha,
autor da dissertação de mestrado A poesia transcendente de Parnaso de além-túmulo (Unicamp, 2001) e da tese de doutorado O caso Humberto de Campos: autoria literária e mediunidade (Unicamp, 2008).

2010 - Richard Simonetti