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Acontece
algumas vezes comigo:
Aplico o passe magnético em moribundos.
Pouco depois, exalam a último suspiro.
Pois é! Morrem!
Companheiros dizem que meu passe é
“o chá da meia noite”
– remete o degustador para o Além.
– Se eu estiver mal, não chamem
o Richard! – advertem.
Brincadeiras à parte, há a
velha questão, envolvendo o doente
terminal, convocado às etéreas
plagas, bilhete em mãos, pronto para
o embarque.
É possível apressar a partida,
usando recursos como o passe magnético?
O folclore do sertão nos diz que
sim, apresentando-nos a figura do “ajudador”.
Trata-se de alguém especializado
na “incelência”, o empenho
de convencer o moribundo a soltar-se.
O “ajudador” emprega, em seu
mister, cantos, ritos e rezas especiais.
O passe magnético, aplicado em clima
de contrição, com evocação
da proteção divina, é
eficiente “incelência”,
a favorecer a ação de benfeitores
espirituais que assistem os desencarnantes.
Geralmente, o paciente terminal tende a
agarrar-se ao corpo depauperado, prolongando
a agonia. Devemos conversar com ele, ao
aplicarmos o magnetismo, procurando faze-lo
sentir que não está só,
que há o amparo espiritual, que seus
sofrimentos terão fim, que a vida
continua...
Na medida em que consigamos dar-lhe alguma
segurança, ele se soltará
mais facilmente, e o desencarne acontecerá
sem delongas, facilitando a ação
dos benfeitores espirituais.
***
O problema maior dos que partem são
os que ficam.
Os familiares, não raro em desespero,
cercam o leito, em ardentes orações,
implorando a complacência divina.
Não conseguem encarar a separação.
Em nenhuma outra situação
se evidenciam, de forma tão dramática,
nossas velhas tendências egocêntricas.
Todos pensam em si, na sua perda pessoal.
Esquecem o enfermo, em quem pesam os anos
e as dores, para o qual a morte será
abençoada libertação.
Produzem a chamada “teia de retenção”.
Sustentam, magneticamente, com sua inconformação,
o moribundo.
Não evitam a morte.
Prolongam a agonia.
O paciente, que poderia libertar-se em alguns
minutos, levará horas, ou dias, em
sofrimentos desnecessários.
Há exemplos variados, envolvendo
pessoas ilustres. Não obstante seu
valor, experimentam agonia prolongada, em
face da “teia de retenção”,
sustentada por milhares de beneficiários
de sua generosidade. Isso porque eles não
conseguem encarar com serenidade o retorno
do benfeitor à vida espiritual.
Nesses casos, os “ajudadores”
do Além costumam usar interessante
recurso:
Promovem, com passes magnéticos,
uma recuperação artificial
do paciente. Melhora, recobra a lucidez,
revela promissora recuperação.
Os retentores suspiram, aliviados, relaxam,
vão descansar…
Os mentores espirituais aproveitam a pausa
na “teia de retenção”,
e em breves momentos o moribundo exala o
último suspiro.
Muitos se revoltam:
– Pensávamos que Deus ouvira
nossas orações! Ele nos enganou…
Certa feita, conversei com um médico,
pertencente à equipe dos “anjos
do asfalto”, que atende acidentados,
na Via Dutra, eixo Rio-São Paulo.
Comentou que são comuns ocorrências
dessa natureza. O paciente com traumatismo
craniano, “mais para lá do
que para cá”, resiste enquanto
há familiares e amigos por perto,
em correntes de oração, a
vibrarem em favor de sua recuperação.
Com o passar do tempo, o pessoal vai se
afastando. Ficam apenas os mais chegados.
De repente, o paciente parece melhorar.
Os familiares respiram, aliviados, relaxando
a vigília. Então ocorre a
morte.
Essa situação repete-se com
tanta freqüência que o povo costuma
dizer:
– Foi a melhora da morte. Melhorou
para morrer!
Isso mesmo!
Melhorou para afastar familiares que estavam
retardando o passageiro do Além.
***
Com a Doutrina Espírita aprendemos
ser “ajudadores”, jamais “retentores”.
Exercitamos a “incelência”
ideal, que nos habilita a enfrentar com
serenidade os desafios da Terra e as dúvidas
do Além:
A
oração e a submissão
à vontade de Deus.
Livro
Para Rir e Refletir
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