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No
velório:
– Deixou bens?
– Sim.
– Algo significativo?
– Para ele, sim.
– O que deixou?
– Tudo o que possuía!
***
Só há uma certeza na vida
– a morte.
Todos morreremos um dia.
Só há uma certeza na morte
– nada levaremos.
Tudo permanecerá aqui.
Ficarão bens, propriedades, riquezas,
jóias, dinheiro…
Até mesmo um mísero alfinete
será confiscado na rigorosa alfândega
do Além.
E também posição social,
prestígio, fama, poder…
É como se fôssemos seqüestrados,
sem direito, sequer, a uma peça de
roupa e conduzidos para remoto continente.
Condição penosa para aqueles
que não se prepararam adequadamente.
Permanecem presos às situações
que vivenciaram.
Angustiam-se com seu isolamento…
Irritam-se por não lhes darem atenção
os familiares…
Ficam odientos e desatinados quando presenciam
a divisão dos bens entre os herdeiros,
situando-os por traidores e larápios.
Vezes inúmeras nos deparamos, nas
manifestações mediúnicas,
com entidades vivendo esse drama.
Lembro-me de um Espírito recém-desencarnado.
Não se conformava com o andamento
do inventário. Considerava-se espoliado
pelos familiares.
Argumentávamos, procurando apaziguá-lo:
– Meu amigo, lembre-se de que você
está no mundo espiritual. Outros
devem ser seus interesses, seus desejos
e atividades.
– Conversa mole! É tudo meu,
fruto do meu suor, da minha dedicação!
Recuso-me a ver meus patrimônios dilapidados,
justamente por aqueles que deveriam preservá-los!
– Você jamais foi dono de nada.
Era tudo propriedade de Deus. Apenas administrava.
– Balelas! Meus bens estão
registrados em cartório! Nas escrituras
não consta o nome de Deus!
Diálogo infrutífero.
A fixação de idéias
em torno de nossas fraquezas, sedimentada
pelo egoísmo, constitui um bloco
monolítico que só o tempo
aliado ao sofrimento podem quebrar.
É comum depararmos com Espíritos
incapazes sequer de reconhecer a realidade
espiritual, obcecados pelos interesses que
marcaram sua passagem na carne.
Conversei, certa feita, com rico fazendeiro
desencarnado, ainda envolvido com a imensa
propriedade que centralizara suas atenções.
Supunha que fora invadida por estranhos.
Não percebera que haviam decorrido
trinta anos desde o seu falecimento, e que
os filhos, após o inventário,
tinham loteado a fazenda.
***
Meu
caro leitor, mais cedo ou mais tarde, amanhã
ou dentro de algumas décadas, bateremos
as botas, retornando ao mundo espiritual.
Manda a prudência e o bom senso que
tenhamos sempre um pé atrás,
isto é, que estejamos atentos, evitando
surpresas desagradáveis.
Duas providências, nesse particular,
devem merecer nosso empenho:
•
Administrar, sem apego, o que vai ficar,
reduzindo ao máximo nossa dependência.
•
Investir, com empenho, no que podemos levar.
Você
talvez estranhe essa última afirmativa.
Se não podemos levar nem um alfinete…
Não há contradição.
Levaremos, sim, as aquisições
que, segundo Jesus as traças não
roem nem os ladrões roubam, caracterizadas
pelos valores culturais, intelectuais, morais,
espirituais…
O conhecimento superior, a cultura bem orientada,
as virtudes cristãs, o domínio
sobre nós mesmos, a sabedoria, são
patrimônios inalienáveis, que
irão conosco para onde formos, constituindo-se
num “mobiliário” abençoado
que nos proporcionará conforto e
bem-estar onde estivermos.
A propósito, há esclarecedor
diálogo de um turista americano com
famoso mestre egípcio que visitou
na cidade do Cairo.
Ficou surpreso ao ver que o ancião
morava em quarto singelo. As únicas
mobílias eram uma mesa e um banco.
A partir dali houve breve e significativo
diálogo:
O
turista:
– Onde estão seus móveis?
O sábio:
– Onde estão os seus?
O turista:
– Estou de passagem.
O sábio:
– Eu também.
Livro
Para Rir e Refletir
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