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Historiadores
não estão certos de que ele
tenha existido.
Não obstante, são atribuídos
à sua lavra os dois maiores poemas
épicos da antiga Grécia:
A Ilíada, que exalta as proezas do
herói Aquiles, na última etapa
da guerra de Tróia.
A Odisséia, que narra as aventuras
de Ulisses, rei de Ítaca, marido
de Penélope.
Trata-se, como o leitor já percebeu,
de Homero, o poeta supostamente cego que
teria vivido no século IX a.C.
***
Em Revista Espírita, novembro de
1860, Allan Kardec reporta-se a uma comunicação
mediúnica assinada por Homero.
O poeta se identificou dando informações
relacionadas com sua infância em Mélès,
razão pela qual era chamado Mélèsigène,
fato que Kardec desconhecia e que confirmou
depois.
O médium era de poucas letras e não
tinha nenhum conhecimento a respeito do
autor da mensagem.
São detalhes importantes para autenticar
a manifestação.
Kardec indagou se os poemas, como os conhecemos
hoje, são fiéis aos originais.
– Foram trabalhados – informou
Homero.
Bem de acordo com as pesquisas atuais.
Supõe-se que, originariamente, os
dois poemas pertenceram à tradição
oral. Isso implicava em alterações
freqüentes, não apenas quanto
à forma, mas ao próprio conteúdo,
na base do velho “quem conta um conto
aumenta um ponto”, até que
se fixassem os textos definitivos.
***
Apesar
desses senões, a figura de Homero
ganha consistência na força
daqueles poemas, que se apresentam como
vigoroso panorama da cultura helênica.
Destaque-se dois aspectos fundamentais:
Primeiro,
a visão antropomórfica.
Os deuses são situados como seres
caprichosos que, inspirados em paixões
e desejos, interferem freqüentemente
nas ações humanas.
A própria guerra de Tróia,
que serve de cenário para A Ilíada,
teve início por causa de uma disputa
entre as deusas Hera, Afrodite e Atena,
a saber qual a mais bela.
O príncipe Páris foi chamado
a decidir. Escolheu Afrodite, que o seduziu
com a promessa de que lhe daria por recompensa
a mais bela mulher do mundo.
A deusa não teve nenhum constrangimento
em relação a pequeno detalhe:
a prometida era casada, esposa de Menelau,
rei de Esparta.
Com suas artes Afrodite ajudou Páris
a raptar Helena.
Liderando a reação dos gregos,
Menelau iniciou a guerra para resgatar a
rainha.
O
outro aspecto diz respeito à instabilidade
de suas personagens lendárias, em
contraditório comportamento:
De um lado, ideais de nobreza, inspirando
ações heróicas e meritórias.
De outro, fraquezas a se exprimirem em ódios
e paixões, capazes de gerar ações
torpes e más.
A narrativa de Homero transcende a cultura
helênica, reportando-se à própria
humanidade, com suas virtudes e mazelas.
***
Como sempre acontece em relação
à cultura grega, temos nos dois poemas
épicos uma representação
mitológica da realidade.
O Olimpo, monte grego nas proximidades do
golfo de Salonica, seria a morada dos deuses.
O mundo espiritual é bem mais amplo.
Projeta-se em outra dimensão, que
interpenetra a nossa, colocando-nos em contato
permanente com seres espirituais que, à
semelhança dos deuses, nos observam,
acompanham, inspiram e influenciam.
Somos, não raro, joguetes de Espíritos
que, qual o faziam os habitantes do Olimpo,
imiscuem-se em nossos pensamentos, ações
e iniciativas, exercitando seus caprichos
e explorando nossas fraquezas.
Sob sua ação, de acordo com
nossas tendências, revelamos indesejável
ciclotimia, alternando bons e maus momentos,
boas e má ações, pensamentos
virtuosos e viciosos, ao sabor das circunstâncias,
como as personagens mitológicas.
Mas os próprios deuses sabiam que
acima de seus caprichos estava um poder
supremo, que chamavam destino, a cujos desígnios
não podiam furtar-se.
O destino exprime a vontade de Deus, Senhor
da Vida, o pai de amor e misericórdia
revelado por Jesus.
O Criador tem objetivos bem definidos a
nosso respeito, que vamos conhecendo na
medida em que amadurecemos.
Nesse mister, algo já sabemos:
•
A Terra – nossa escola.
•
A dor – nossa mestra.
•
As dificuldades – nossos estímulos.
•
Os problemas – nossos desafios.
•
O Bem – nosso caminho.
•
O mal – nosso desvio.
z
• A perfeição –
nosso destino.
Assim,
paulatinamente, nos habilitaremos a superar
a influência dos “deuses”
submetendo-nos aos abençoados desígnios
de Deus.
Livro Luzes no Caminho
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