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Pelo
fato de não proceder de um só
indivíduo a espécie humana,
devem os homens deixar de considerar-se
irmãos?
Todos os homens são irmãos
em Deus, porque são animados pelo
espírito e tendem para o mesmo fim...
Questão
nº 54
Lembro
de uma charge em que se via um casal de
nobres ingleses, ambos esnobes e orgulhosos,
contemplando uma galeria de retratos de
seus antepassados, onde estavam reis, príncipes,
lordes, duques...
Sobre suas cabeças uma imensa árvore
genealógica mostrava bandidos, piratas,
bárbaros, índios, trogloditas,
até chegar às suas origens
- um casal de macacos.
Não eram seres especiais os empertigados
britânicos.
Descendiam, como todo o gênero humano,
dos símios antropóides.
As diferenças quanto ao tipo físico,
cor da pele, estrutura, altura, comportamento,
costumes, guardam sua gênese em fatores
geográficos, climáticos, de
alimentação e cultura...
Não chegamos a perceber essas mutações
porque são extremamente lentas. Ocorrem
ao longo dos milênios.
Por outro lado, há uma tendência
para a fixação de determinadas
características que identificam as
raças. É como se Deus houvesse
preparado vestimentas variadas para os Espíritos
que reencarnam, diversificando suas experiências
evolutivas, em aprendizado compatível
com suas necessidades.
***
O amplo conhecimento acumulado sobre nossas
origens e a evidência de que temos
em comum o fato de que nossos ancestrais
moravam nas árvores, não tem
sido suficiente para eliminar um dos males
mais lamentáveis da sociedade humana
- o preconceito racial.
Inspira-se na pretensão de que um
homem é melhor, superior a outro
por causa da cor de sua pele, estrutura
física, nacionalidade...
Nos Estados Unidos foi preciso uma guerra
civil para acabar com o desumano regime
escravocrata.
Até a década de sessenta o
país mais rico e poderoso da Terra,
que sempre arvorou-se em campeão
da democracia, praticava a segregação
racial. A maioria branca impunha humilhantes
restrições aos negros, que
não podiam freqüentar as mesmas
escolas, sanitários públicos,
clubes, hospitais...
Na África do Sul, em pleno continente
africano, uma minoria de origem européia
sustentou durante decênios separação
radical, relegando os donos da casa a posições
de subalternidade.
No Brasil, não obstante a índole
fraterna de nosso povo, durante mais de
três séculos muitos achavam
natural a existência de homens transformados
em bestas de carga.
Estamos livres da nódoa da escravidão,
mas não do preconceito racial, que
corre solto, com poucas chances para os
negros se livrarem de uma condição
social inferior.
Nos Estados do Sul os nordestinos são
marginalizados e menosprezados, como se
não fossem brasileiros, como se pertencessem
a uma raça inferior.
Algo semelhante ocorre em países
ricos da Europa, como França e Alemanha,
onde há forte resistência contra
minorias que vêm de países
pobres buscando melhores condições
de vida.
Sanseis e niseis, descendentes de colonos
japoneses que vão trabalhar no Japão,
enfrentam o mesmo problema, relegados ao
exercício de tarefas braçais.
***
Outro exemplo marcante envolve os judeus.
Não obstante sua cultura e inteligência
foram discriminados e perseguidos ao longo
da História.
Na Alemanha de Hitler, a população
aceitou passivamente sua iniciativa de exterminá-los,
quando seria muito mais razoável
encaminhar o ditador para o hospício.
Os descendentes de Abraão, por sua
vez, não têm feito melhor.
Imbuídos da idéia do povo
escolhido por Jeová, cultivam insuperável
racismo. Isso está tão entranhado
em sua mentalidade que desde o ano 70 da
era cristã, quando Jerusalém
foi arrasada por Tito e foram dispersos
pelo Mundo, os judeus conservaram sua nacionalidade,
mesmo sem um território, o que só
aconteceu em 1948, com a proclamação
do Estado de Israel. Hoje discriminam os
árabes, particularmente os palestinos,
aos quais negam o direito elementar de terem
seu próprio país.
***
A Doutrina Espírita tem uma valiosa
contribuição em favor da extinção
dos preconceitos raciais, revelando que
somos todos Espíritos em evolução,
submetidos à experiência reencarnatória.
E que podemos ressurgir na Terra como negros,
brancos ou amarelos, em qualquer continente
ou região, de conformidade com nossos
compromissos e necessidades.
Não há porque cultivar discriminações,
não só porque temos todos
a mesma origem, que se perde na noite dos
tempos, mas sobretudo porque a Lei Divina
determinará inexoravelmente que reencarnemos
entre aqueles que discriminamos.
Há inúmeros relatos em obras
mediúnicas, dando-nos notícia
de fazendeiros que judiavam dos negros.
Retornaram como escravos africanos.
Anti-semitas voltam como judeus para sentir
na própria pele o que é esse
preconceito.
Da mesma forma, judeus convictos de que
pertencem a uma raça superior, escolhida
por Deus, ressurgem no seio dos povos que
julgam inferiores.
***
Aprendemos com Jesus que o amor ao próximo
equivale a amar a Deus.
Isso significa que é absolutamente
impossível reverenciar o Criador
discriminando suas criaturas.
Além do mais, não há
porque menosprezar alguém por causa
de sua cor, raça, nacionalidade.
Afinal, por mais que isso nos contrarie
e constranja quando vinculados a movimentos
segregacionistas, somos todos irmãos.
Descendentes dos primatas como homens perecíveis...
Filhos de Deus como Espíritos eternos.
E à luz da reencarnação
fica sempre a idéia de que o preconceito
racial é, sobretudo, insensato ou,
mais popularmente, um exercício de
burrice.
Toda discriminação é
véspera de transferência compulsória
para o lado discriminado.
Livro
A Presença de Deus
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