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1
– Meu marido comporta-se como um machista
incorrigível. É o meu carma?
O lar é a escola das almas, onde
aprendemos a mudar de pessoa na conjugação
do verbo de nossas ações.
Da primeira do singular, eu, para a primeira
do plural, nós, superando o comportamento
egoístico. Isso fica difícil
quando encaramos o cônjuge como “uma
cruz a ser carregada ao calvário
de redenção”, conforme
afirmam os que guardam vocação
para a volúpia do sofrimento.
2 – São belas idéias,
mas impraticáveis no meu lar. Meu
marido é um bronco!
Ao que parece, você entende mais desse
assunto do que o Criador. Se Ele os colocou
juntos é porque há esperança.
Algumas posições devem ser
modificadas, como, por exemplo, situá-lo
por “bronco”. É uma apreciação
unilateral perigosa, que nos predispõe
à má vontade.
3 – E se ele for um inimigo
do passado? Às vezes tenho a impressão
de que me odeia…
Nós espíritas temos o mau
vezo de achar que as dificuldades de convivência
surgem a partir do envolvimento com inimigos
do passado. Seria maldade de Deus colocar-nos
em tal situação para vivermos
às turras. Afinal, como diz o velho
adágio, Deus quer que nos amemos,
não que nos amassemos.
4 – Mas a Doutrina não
revela que isso acontece com freqüência?
Exagero afirmar que seja freqüente.
E mesmo quando ocorra, nem por isso deverá
o lar converter-se em arena de brigas e
discussões. O problema não
é a convivência com desafetos
do passado, e, sim, a insistência
no comportamento egoístico, que nos
leva a exigir demasiado dos familiares,
levantando barreiras de ressentimento e
mágoa, sempre que não correspondem
às nossas expectativas.
5 – De qualquer forma,
é difícil conviver quando
o cônjuge não considera nossos
direitos.
Cuidado com semelhante argumento. Se pensamos
muito em direitos, esquecemos os deveres,
a partir do elementar, que é o de
respeitar o próximo, principalmente
aquele que habita sob o mesmo teto.
6 – Não será
razoável reagir ao desrespeito, usando
a mesma moeda? Xingamento por xingamento,
ofensa por ofensa. É para ele aprender!
Você está com um atraso de
dois mil anos em seu aprendizado espiritual.
Lembra o olho por olho, dente por dente,
de Moisés. A vigência atual
é do Evangelho, o perdoar setenta
vezes sete. Jesus deixa bem claro que reagir
ao mal com o mal instala conflitos insuperáveis.
Ao aforismo quando um não quer dois
não brigam, podemos acrescentar que
quando um age sempre com civilidade, conservando
a serenidade, acabará por influenciar
as pessoas de sua convivência, convocando-as
a uma mudança de postura. O bem é
a força mais poderosa do Universo,
embora possa sugerir fraqueza na convivência
doméstica.
7 – Reconheço que
não sou santa. Teria dificuldade
em conservar a serenidade e a compreensão.
Não obstante, estou disposta a tolerá-lo
até o fim. Não está
de bom tamanho?
Você me lembra aquela senhora sempre
às turras com o marido, mas com essa
mesma disposição, convicta
de que se assim o fizesse haveria de livrar-se
do próprio depois da morte. Foi alertada,
ao retornar à espiritualidade, de
que deixara de cumprir o compromisso maior
que era o de harmonizar-se com o marido.
8 – E o que aconteceu com ela?
Compromissos não cumpridos exigem
uma retomada. Teve que se preparar para
nova experiência em comum. Ela e o
marido estariam novamente juntos, no retorno
à carne. E lhe foi reiterado que
buscasse internalizar a idéia básica:
não vale tolerar; é preciso
harmonizar.
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