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1
– Os espíritas revivem o trabalho
da primitiva comunidade cristã, dedicando-se
a obras assistenciais. não é
pouco para a edificação de
uma sociedade melhor?
Sem dúvida, mas é um começo.
Podemos não resolver os problemas
humanos, mas estamos ajudando a criar uma
mentalidade participativa, em que as pessoas
disponham-se a fazer algo em favor do próximo.
2
– Jesus, há dois mil anos,
já ensinava que devemos fazer ao
semelhante todo o bem que gostaríamos
nos fosse feito. suas palavras têm
motivado muita gente, ao longo dos milênios,
mas o apelo da Doutrina Espírita
parece ser bem maior, porquanto embora numa
minoria em nosso país, os espíritas
realizam um valioso trabalho nesse sentido.
A que atribuir esse comportamento?
Jesus nos convidava ao Bem. O Espiritismo,
com a ampla visão das realidades
espirituais que nos oferece, demonstra ser
indispensável que exercitemos a bondade
ou incorreremos em crimes de omissão
e indiferença, pelos quais fatalmente
responderemos.
3
- Não há aí uma ameaça
velada, inspirando a adesão pelo
medo?
Absolutamente. O Espiritismo é a
doutrina da consciência livre. Não
ameaça com o inferno nem promete
o Céu. Apenas confirma claramente
que, conforme ensinava Jesus, o Céu
e o inferno são estados de consciência.
A doutrina simplesmente demonstra que o
empenho de servir é a porta de acesso
a estados de consciência que nos situam
no paraíso interior.
4
- O jeito é irmos todos para a periferia
socorrer os pobres?
Seria muito pouco. Não basta determinado
compromisso – a visita a enfermos
ou à favela, por exemplo. O exercício
do Bem é uma postura diante da vida,
com a consciência de que onde estivermos
poderemos fazer algo em favor de alguém.
5
- Poderia citar alguns exemplos?
São incontáveis – a
atenção a um familiar; o empenho
de preservar a paz no ambiente doméstico;
o perdão diante das ofensas; a palavra
branda contrapondo-se à agressividade;
a oração por alguém
em dificuldade; o silêncio diante
de fofocas que denigrem reputações;
a cooperação ativa no ambiente
profissional; o esforço por preservar
a ordem e a limpeza no logradouro público;
a participação em mutirões
que visam realizar determinada obra comunitária…
6
– Considerando assim sempre haverá
algo de bom a fazer, mesmo que enfrentemos
limitações?
Lembro-me de uma senhora paralítica
que eu visitava juntamente com outros companheiros,
prestando-lhe assistência material
e espiritual. Na verdade, com todas as suas
limitações, ela nos dava mais
do que recebia, oferecendo um eloqüente
exemplo de coragem e otimismo. Enfrentava
sua provação, sempre alegre,
risonha, corajosa. Quando nos despedíamos,
seu “Deus os abençoe”
iluminava nosso dia.
7
- No fundo ela fazia bem a si mesma?
Exatamente. Não estava apenas resgatando
o passado. Com sua atitude construía
um glorioso futuro. Não apenas depurava
seu Espírito. Dava-lhe brilho e luz.
8
- Também podemos exercitar o bem
com o nosso corpo?
É imperioso que o façamos.
o Corpo é uma máquina que
Deus nos empresta para as experiências
na carne. Responderemos por todos os prejuízos
que lhe causarmos. Geralmente julgamos que
a enfermidade é um problema cármico.
Raramente isso ocorre. Os problemas do corpo
são decorrentes de mau uso, ausência
de exercícios, comportamento indisciplinado,
vícios, gula e, sobretudo, a pressão
violenta que exercemos sobre ele quando
nos deixamos dominar por ressentimento,
mágoa, rancor, irritação,
impaciência e outros sentimentos próprios
de nossa imaturidade.
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