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01
– É justificável o adultério
quando há grande afinidade entre
os adúlteros?
Seria o mesmo que justificar a ação
do assaltante que rouba por estar com fome.
Embora descriminado perante as leis humanas,
o adultério permanece um crime perante
as leis divinas.
02
– E se ambos encontram o par de suas
vidas fora do casamento?
Normalmente isso ocorre sob inspiração
da paixão, que é péssima
conselheira. Sempre sugere que encontramos
a mulher ou o homem de nossa vida. Quando
se consuma o relacionamento, geralmente
com a dissolução da união
anterior que o adultério provocou,
ambos descobrem, na prática, que
não foi como imaginaram.
03
– E aquele ditado segundo o qual nada
acontece por acaso? Um encontro dessa natureza
estaria programado pelo destino?
O destino tem costas largas, principalmente
nos casos de adultério. É
fácil atribuir-lhe desvios que nascem
de nossas próprias mazelas. A vocação
para a conquista amorosa, a exaltação
da libido, o prazer de despertar desejo,
a satisfação pelo olhar correspondido,
a fantasia passional, são fraquezas
que caracterizam o comportamento humano,
favorecendo envolvimentos que não
tem nada a ver com o destino.
04
– Há casos em que duas pessoas
convivendo por força de compromissos
sociais e profissionais, experimentam uma
grande afinidade. Acaba acontecendo um envolvimento
forte, a que ambos não resistem…
A possibilidade de adultério ocorre
a partir do momento em que a afinidade entre
o homem e a mulher deixa os limites da amizade
para cair na passionalidade. Geralmente
isso acontece porque as pessoas dão
asas à imaginação.
05
– A relação deveria
ficar contida em certos limites?
Não é proibido um homem ter
amizade e carinho por uma mulher, e vice-versa,
mesmo que ambos já estejam vinculados
a compromissos conjugais. É um sentimento
gratificante, o chamado amor platônico,
desde que não alimentem fantasias
sexuais e o sentimento de posse. a partir
daí surgem os problemas.
06
– Não é complicado conter
um relacionamento dessa natureza nos limites
do amor platônico?
Depende da pessoa. Indivíduos que
vivem em função dos sentidos,
que valorizam o sexo, terão muita
dificuldade. Já aqueles que cultivam
mais os valores do espírito, sublimando
os impulsos sexuais, conseguem conviver
tranqüilamente com pessoas ligadas
ao seu coração, sem se arderem
em desejos inconfessáveis.
07
– Ás vezes o envolvimento entre
duas pessoas, em ligação extraconjugal,
é muito forte, tão forte que
não resistem ao impulso de largarem
as respectivas famílias para se unirem.
E vivem relativamente bem. Não têm
direito à felicidade?
Precária é a felicidade que
edificamos sobre a infelicidade alheia.
Se ambos eram casados e deixam cônjuge
e filhos para realizar seu desejo, serão
responsabilizados, em regime de co-participação,
por males que venham a atingir suas famílias
em face de sua ausência. André
Luiz diz, com muita propriedade, que se
a nossa felicidade é alicerçada
sobre a infelicidade alheia, responderemos
por isso.
08
– E se acontece o contrário?
Se o indivíduo se casa muito novo,
em face de um envolvimento passional e depois
de alguns anos encontra aquela que seria
a mulher de sua vida, com quem planejara
unir-se antes de reencarnar? Não
será justificável que vá
ao encontro de seu destino?
Alegações dessa natureza geralmente
são meras fantasias para justificar
nossas defecções. ainda que
procedentes, há que se considerar
que nossos desvios, em relação
ao que fora planejado na espiritualidade,
geram compromissos que se sobrepõem
aos anteriores e devem ser observados, principalmente
quando há filhos.
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