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1
– Que significa o termo apocalipse?
Vem do grego apokálypsis. Significa
revelação. Há vários
apocalipses no Velho Testamento. O mais
conhecido é o último livro
do Novo Testamento, atribuído a João
Evangelista. Trata de acontecimentos relacionados
com o final dos tempos, com revelações
que o apóstolo teria obtido por meio
de visões.
2
– Estudiosos dizem que há ali
a revelação de grandes hecatombes
e guerras que dizimarão a Humanidade
neste milênio. O Mundo vai acabar?
Certamente, sim, mas vai demorar um pouco…
perto de seis bilhões de anos, quando
o Sol agonizar. Em seus estertores crescerá
desmesuradamente, engolindo os planetas
de nosso sistema. Até lá Deus
arranjará outro lugar para morarmos.
3
– João fala de um final dos
tempos marcados por fogo. Não seria
uma referência a uma hecatombe nuclear?
As previsões de João são
muito nebulosas, simbólicas, ao gosto
de cada intérprete, de tal maneira
que podemos situá-las em variadas
épocas da História. Alguns
exegetas, talvez mais acertadamente, concebem
que João reportava-se a eventos de
seu tempo, quando os romanos, sob o comando
do general Tito, incendiaram Jerusalém,
não deixando pedra sobre pedra, promovendo
a dispersão dos judeus, a chamada
diáspora.
4 – Como podemos encarar
o assunto, à luz do Espiritismo?
A Doutrina é bem clara ao nos alertar
quanto à separação
do joio e do trigo, os bodes das ovelhas,
a que se referia Jesus, com a promoção
de nosso planeta, na sociedade dos mundos.
Deixaremos a condição de planeta
de provas e expiações, onde
o egoísmo predominante gera os males
humanos, para planeta de regeneração,
em que consciências despertas para
os objetivos da existência elegerão
os serviços do Bem por norma de conduta.
5 – Pela conturbação
atual, com o clima de violência que
se instala na sociedade humana, podemos
dizer que é chegado o momento dessa
separação, a fim de que os
justos não sejam esmagados pelos
injustos?
Considerando a afirmativa de Jesus, no Sermão
da Montanha, Bem-aventurados os mansos,
porque herdarão a Terra, seria complicado
operar essa separação agora.
Certamente nosso planeta ficaria semi-deserto,
porquanto raros venceram a agressividade
inerente ao comportamento humano.
6
– E como fica a previsão que
os Espíritos Superiores fazem com
relação à civilização
cristianizada que deverá estabelecer-se
na Terra neste milênio?
Como dizia Chico Xavier, um milênio
tem mil anos. Temos muito tempo pela frente,
até que ocorra essa realização
grandiosa, com a adesão humana aos
princípios do Evangelho. Deus não
tem pressa.
7
– Com o desenvolvimento dos recursos
tecnológicos, no terreno bélico,
não demorará muito tempo e
estaremos mergulhados num conflito atômico,
de conseqüências devastadoras.
Não estaria aí o apocalipse,
promovendo a morte de considerável
parcela da Humanidade, para que ocorra o
grande expurgo?
Há uma tendência de imaginar
que o Reino de Deus será precedido
por hecatombes naturais ou provocadas pelo
homem, dizimando grande parcela da Humanidade.
Não há necessidade de nada
disso. Quando chegar a hora, quando os poderes
que nos governam considerarem que há
suficiente número de habitantes que
conquistaram a mansuetude, o expurgo será
feito naturalmente, atendendo aos ditames
da Natureza. Ela nos transfere, inelutavelmente,
para o mundo espiritual, a cada experiência
reencarnatória, dentro de limites
que normalmente não ultrapassam os
cem anos. Isso significa que em um século
será completado o expurgo, quando
chegar a hora, sem violência.
8
– O que pode ser feito para tornar
mais rápido o processo de transformação
da Humanidade, com a edificação
de uma sociedade melhor, um mundo de mansuetude?
Combater o materialismo, não apenas
a convicção materialista,
exercitada por uma minoria, mas a pior forma,
que é o comportamento materialista,
exercitado por multidões que dizem
acreditar em Deus e na sobrevivência
da alma, mas de forma superficial, que não
se reflete em seu comportamento. Enquanto
as pessoas não tiverem convicção
de que a vida continua e de que colheremos,
inexoravelmente, as conseqüências
de nossas ações, após
a morte, o mundo continuará agitado
como o vemos. Nesse aspecto, a Doutrina
Espírita é a grande benção,
descerrando a cortina que separa o plano
físico do espiritual, conscientizando-nos
de nossas responsabilidades, ante a certeza
da vida que não acaba nunca e onde
nunca está ausente a justiça
de Deus.
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