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1
– Tendo em vista a imensa contribuição
de Kardec, na codificação
da Doutrina Espírita, uma filosofia
que responde às indagações
do Homem quanto às suas origens e
destinação, por que o codificador
jamais foi reconhecido como filósofo?
Talvez porque jamais tenha adotado a linguagem
arrevesada dos filósofos, que “coçam
a orelha esquerda com a mão direita”,
e particularmente porque seus livros foram
todos baseados no intercâmbio com
o Além que, dentre eles, raros admitem.
2
– Também não foi aceito
como cientista…
A comunidade científica é
eminentemente materialista. Não admite
a manifestação dos Espíritos,
nem se dispõe a pesquisar a respeito,
na base do “não vi e não
gostei”, ou “não acredito
porque não vi e ainda que visse não
acreditaria porque sei que é impossível”.
Com semelhantes premissas, nenhum cientista
se disporia a considerar Kardec um de seus
pares.
3
– E quanto à rejeição
de Kardec nos círculos religiosos?
As religiões são salvacionistas,
situam-se como portas de ingresso das almas
nas regiões celestiais. Não
poderiam aceitar alguém que derrubou
essa concepção, explicando
que nosso futuro espiritual depende de como
vivemos, não de nossa vinculação
religiosa.
4
– Por que o Espiritismo floresceu
na França, ao tempo de Kardec, e
definhou depois dele?
A França tinha condições
para “exportar” o Espiritismo,
mas havia dificuldades no “consumo
interno”, em face da mentalidade materialista
que tomou conta do país, particularmente
após o advento das duas guerras mundiais.
5
– O arrefecimento do Espiritismo em
solo francês ocorreu por descuido
dos espíritas franceses?
Em parte, talvez. Fundamentalmente, parece-me,
ocorreu uma fatalidade histórica,
envolvendo o avanço do materialismo
na Europa, e o comprometimento do movimento
espírita com práticas supersticiosas.
6
– Especula-se quanto à identidade
do Espírito de Verdade, que orientava
o trabalho de Kardec. Alguma idéia
a respeito?
Pelo tom de algumas mensagens contidas em
O Evangelho Segundo o Espiritismo, identificamos
a orientação de Jesus. O Espírito
de Verdade não seria o próprio
Cristo, mas um preposto falando em seu nome,
transmitindo sua orientação.
7
– Tendo em vista a grandeza e a extensão
do trabalho que se propusera realizar, atendendo
à convocação da espiritualidade,
Kardec desencarnou relativamente cedo, aos
65 anos. Não teria sido conveniente
uma moratória?
Kardec realizou em catorze anos, de maio
de 1855, quando entrou em contato com o
fenômeno mediúnico, a março
de 1869, quando desencarnou, um trabalho
que demandaria existência secular.
Para tão intenso brilho foi vela
que queimou dos dois lados, consumindo-se
rapidamente.
8
– Por que Kardec não deixou
um sucessor, capaz de sustentar a pujança
do movimento Espírita?
Não era de sua índole nem
da proposta doutrinária que houvesse
chefes para o Espiritismo, em bases de sucessão,
o que fatalmente resultaria em institucionalização.
Por isso Kardec não teve sucessores.
Devemos nos congregar não em torno
de um nome, mas em torno da própria
Doutrina.
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