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1
– Os Centros Espíritas desenvolvem
incontáveis campanhas e promoções,
visando arrecadar recursos para serviços
variados, particularmente assistenciais.
Isso não acaba aborrecendo os freqüentadores?
Não, se paralelamente passar-se a
idéia de que espiritismo é
trabalho, é doação
de tempo, é disposição
de servir, é exercício de
desprendimento. O egoísmo é
o grande problema humano, gerador de todos
os males. É pensando nos outros,
interessando-nos por movimentos que visam
beneficiar a coletividade, que começamos
a vencê-lo.
2
– A participação não
envolveria, então, apenas a doação
de dinheiro?
Entendo que não devemos pedir dinheiro
às pessoas que procuram ajuda no
centro. passaríamos a idéia
de uma taxa a ser paga por favores espirituais.
Mas devemos convidá-las a participar
de campanhas e serviços que lhes
facultem a oportunidade de servir, integrando-se
em atividades que lhes proporcionarão
muitos benefícios.
3
– Há quem diga que servir o
semelhante é mais eficiente em favor
da saúde psíquica do que sessões
de psicanálise. O que você
acha?
Freud cometeu um erro fundamental ao ignorar
o espírito imortal em processo de
reajuste na Terra, obedecendo à dinâmica
da reencarnação. Perdeu-se
em divagações sem perceber
que a maior parte de nossos males têm
origem no comportamento egoístico
em existências passadas, quando a
pretexto de atender nossas necessidades
e realizar nossas aspirações,
prejudicamos muita gente. Neste particular
a prática do bem é sempre
mais eficiente do que as digressões
da psicanálise, porquanto corrige
nossos impulsos e ameniza nosso carma.
4
– A orientação seria
recomendar empenho de servir para quem procura
o Centro?
Antes de mais nada organizar serviços,
porquanto de nada nos valerá desenvolver
uma filosofia de trabalho, estimulando as
pessoas à servir sem lhes oferecer
o que fazer. É preciso superar a
figura do mero freqüentador de reuniões.
O Centro Espírita que não
se mexe nesse particular acaba estagnado.
5
– Que destaque você daria em
relação às campanhas?
Dentre inúmeras, há uma fundamental:
semear o livro espírita a mão
cheia, como diz Castro Alves, oferecendo
ao povo a oportunidade de conhecer os abençoados
princípios espíritas.
6
– O que poderia ser feito nesse particular?
Deveríamos, antes de mais nada, adotar
o hábito de presentear com livros
espíritas, sem esperar por datas
especiais para isso, como natal e aniversários.
Desde a criança ao adulto, atendendo
a todos os gostos, temos uma vastíssima
literatura, plena de bênçãos
de esclarecimento, capaz de aquecer os corações
e iluminar as consciências, algo infinitamente
mais importante que o inútil e o
supérfluo que geralmente caracterizam
os presentes.
7
– Os Centros Espíritas participam
desse trabalho?
Temos aí uma das falhas na divulgação
do livro espírita. Os Centros Espíritas
não dão ao assunto a atenção
devida. Poucos têm uma livraria ou
biblioteca, raros participam do trabalho
do Clube do Livro Espírita. Enfatizam-se
as reuniões mediúnicas, a
chamada assistência espiritual, sem
considerar que as pessoas precisam, acima
de tudo, de esclarecimento e que não
há melhor recursos nesse sentido
que o livro espírita.
8
- E a campanha para instalação
dos clubes do livro espírita, como
vai?
Tenho enfatizado em minhas andanças,
em contato com dirigentes espíritas,
a oportunidade de instalação
do CLE em todas as cidades. Alguns progressos
têm sido alcançados. Muito
mais seria feito se os dirigentes espíritas
reconhecessem a importância desse
serviço e se dispusessem a ajudar.
É inconcebível que o diretor
de organização espírita
não esteja colaborando para a instalação
ou manutenção de um CLE, divulgando-o
e, sobretudo, participando como associado.
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