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01
– Como poderíamos situar o
Carnaval?
Embora a origem do Carnaval esteja nas antigas
festividades do paganismo romano, sempre
me pareceu uma festa de índio. Os
foliões renunciam, momentaneamente,
às conquistas da civilização
e retornam à taba. É gente
pulando inconseqüentemente, emitindo
sons que, eventualmente, lembram música.
Só falta a fogueira no centro do
salão.
02
– Mas não são horas
preciosas de espairecimento, em que as tensões
acumuladas esvaem-se ante a alegria contagiante
dos corações?
Diríamos mais apropriadamente alegria
do álcool e das drogas, que correm
soltos nos salões de momo. há
um clima de “liberou geral”,
como costuma dizer a moçada.
03
– É tão grave assim?
Basta ler o noticiário policial desses
dias. sobem os índices de crimes
e acidentes, que não podem ser debitados
a resgates cármicos. são meros
frutos da imprudência gerada pelo
entorpecimento dos sentidos e pela razão
desdenhada. e há outro problema:
os ambientes carnavalescos estão
repletos de espíritos desajustados
e viciosos. freqüentemente, processos
obsessivos têm ali o seu início.
04
– Mas e a questão da sintonia?
Se participo de um festejo carnavalesco,
sem fazer uso de bebidas ou drogas, conservando
o equilíbrio interior, o pensamento
elevado, serei afetado?.
Poderia, também, para maior garantia,
entrar no salão com o evangelho na
mão… Considere, entretanto,
que com semelhante disposição
dificilmente encontraria prazer no carnaval,
que pede, fundamentalmente, o clima da taba.
05
– Essa condenação do
carnaval não exprime uma atitude
preconceituosa, que nega a liberdade de
consciência preconizada pela doutrina
espírita?
Liberdade não é sinônimo
de inconseqüência ou indisciplina.
A doutrina não interfere em nosso
livre-arbítrio, mas lembra, com o
apóstolo paulo, que todas as coisas
nos são lícitas, mas nem todas
as coisas nos convêm.
06
– Como agir em relação
a familiares, filhos por exemplo, que apreciam
o carnaval? Devemos proibir?
O fruto proibido é o mais desejado.
Melhor exaltar outros valores, trazendo
Jesus para o nosso cotidiano, em conversas
e estudos, particularmente com a instituição
do culto do evangelho no lar, uma reunião
em família, onde estudamos a boa
nova à luz do espiritismo, em bate-papo
descontraído. A partir desse empenho
haverá uma alteração
natural no comportamento do grupo familiar,
com a tendência de se privilegiar
o que é útil, proveitoso,
edificante…
07
– Uma mudança de motivação?
Essa é a palavra chave: motivação,
a definir os rumos de nossa vida. aquele
que aprecia o carnaval é livre para
desenvolver suas próprias iniciativas,
no melhor espírito da doutrina. Vibra,
aguarda ansiosamente os festejos. Mas, na
medida em que se ajuste aos padrões
do evangelho, fatalmente pensará
diferente.
08
– Buscará um retiro espiritual…
Seria uma opção. Mas há
outras mais interessantes: A pintura do
centro espírita, o socorro a necessitados,
a construção de moradias para
desabrigados, o atendimento de enfermos,
a instalação de serviços
numa favela… Há imensas possibilidades
a serem consideradas para um aproveitamento
desses dias de folga que o carnaval enseja,
em mutirões envolvendo pessoas interessadas
em servir. Essas iniciativas lhes permitirão,
de uma forma muito mais eficiente, superar
tensões, sem os riscos da inconseqüência,
e desfrutar de alegria autêntica,
sem dramas de consciência nem ressacas
na quarta-feira.
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