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1
– A Lei 9.434, regulamentada pelo
decreto 2.268, torna doador presumido todo
paciente maior de 21 que não tenha
manifestado desejo contrário, expresso
em documento de identidade. É bom
ou é mau?
Para milhares de pacientes com graves problemas
de coração, fígado,
rins, pulmões, na fila para transplante,
isso é muito bom. Ampliam-se suas
possibilidades, reduzindo a espera.
2
– A retirada de seus órgãos
não poderá ocasionar problemas
para o espírito?
A situação do espírito,
no trânsito para o além, depende
dele próprio, de seus patrimônios
morais e culturais, não das circunstâncias
que envolvem sua morte.
3
– O paciente cujos órgãos
foram aproveitados para transplante não
terá repercussões em seu perispírito?
Se lhe tiraram os olhos, não poderá,
por exemplo, experimentar a cegueira no
plano espiritual?
Se assim fosse, como ficaria o indivíduo
cujo corpo foi desintegrado numa explosão?
Nosso perispírito, o corpo espiritual,
é afetado pelo que fazemos, não
pelo que fazem ao nosso corpo.
4
– Sendo indispensável retirar
o órgão ainda vivo a fim de
viabilizar o transplante, os médicos
adotaram o conceito de morte cerebral. 0
paciente é considerado morto embora
o coração ainda esteja batendo.
Isso não é eutanásia?
Há vida vegetativa, uma “morte
em vida”, sustentada por aparelhos.
Quando forem desligados, ou mesmo antes
disso, não tardará em exalar
o último suspiro.
5
– De qualquer forma, alguns dias ou
horas a mais no corpo não o preparariam
melhor para o desencarne?
Talvez, dependendo das pessoas que o cercam.
às vezes os familiares envolvem o
paciente em tal onda de desespero e inconformação
que lhe impõem mais atribulações
do que as supostamente decorrentes dos procedimentos
cirúrgicos para o aproveitamento
de seus órgãos.
6 – Se a retirada é
feita à revelia do paciente terminal,
não poderá ele converter-se
num obsessor da pessoa beneficiada pelo
transplante?
Essa idéia daria um belo filme de
horror, mas não tem nada a ver com
a realidade. O aproveitamento do órgão
antecipa-se algumas horas ao banquete dos
vermes, preservando-º mais razão
teria o espírito de aborrecer-se
com os nauseantes invasores que lhe devoram
o corpo inteiro.
7
– O coração é
situado como a sede dos sentimentos. Isso
não poderá causar embaraços
à pessoa que receba o coração
de alguém muito atribulado, como
um suicida, por exemplo?
O coração é uma bomba,
cuja função primordial é
fazer circular o sangue no organismo. A
sede dos sentimentos está na alma,
não no corpo ou em algum órgão
específico.
8
– Aos cinqüenta anos um homem
está no fim da existência,
com grave problema cardíaco. No entanto,
recebe um coração “novo”,
em transplante e vive mais 20 anos. Não
estaria a ciência médica interferindo
nos desígnios de Deus?
A medicina é instrumento de Deus.
Suas conquistas fazem parte do planejamento
divino em favor da saúde da espécie
humana, programada biologicamente para viver
perto de um século.
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