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1
– Datas comemorativas como finados,
de homenagem aos que partiram, evocam a
problemática da morte. Não
seria melhor exaltar a vida?
Considerando que todos vamos morrer um dia
e que a morte é como um ladrão,
não sabemos quando virá, oportuno
que cogitemos do assunto e nos preparemos,
a fim de não sermos colhidos de surpresa.
2
– Por que ela sempre inspira temor?
um amigo costuma brincar, dizendo que as
pessoas tem a consciência pesada.
há um fundo de verdade em sua irreverência.
consciente ou inconscientemente, sentimos
que responderemos por nosso comprometimentos
com deslizes que “enfeitam”,
ou mais exatamente enfeiam a alma humana.
mas o problema é também de
ignorância. Tendemos a temer o desconhecido.
3 – Há espíritas
virtuosos, comportamento ilibado, conhecedores
da doutrina que, não obstante, guardam
insuperáveis temores…
Não lhes terá sido fácil
nem agradável a experiência
do morrer, em pretéritas encarnações.
Trazem o trauma do morte, algo semelhante
à pessoa que tem medo de ser enterrada
viva, porque em existência anterior
acordou de um transe letárgico na
sepultura ou ficou presa ao cadáver
durante algum tempo.
4
– Como superar esse problema?
Cogitando do assunto, admitindo a idéia
de que todos retornaremos ao além,
mais cedo ou mais tarde. Monges trapistas,
na idade média, enfatizavam esse
aspecto. Quebravam o voto de silêncio
apenas para se cumprimentarem. Quando se
cruzavam nos corredores do claustro proclamavam:
memento mori, “lembra-te de que
vais morrer”.
5
– Não há um certo exagero
nesse comportamento?
Sem dúvida, principalmente em relação
ao voto de silêncio e o claustro.
O homem é um ser eminentemente gregário.
Seu próprio desenvolvimento cultural,
intelectual, moral e espiritual, depende
da convivência social, da comunicação,
da palavra. Mas todos deveríamos
ter sempre presente o memento mori, a certeza
de que estamos em trânsito pela terra.
6
– Viver em função da
morte não atrapalha a vida?
E muito, mas a idéia não é
essa. Devemos viver em função
da vida, cuidando muito bem de nosso corpo,
a fim de aproveitarmos integralmente o tempo
que nos foi concedido.
7
– Há quem retorne antes do
tempo?
Mais razoável perguntar se há
quem retorne na hora certa. Passamos a vida
a brigar com o nosso corpo. Submetemo-lo
a pressões terríveis, de fora
para dentro, com sentimentos negativos,
como o rancor, o ressentimento, a mágoa,
o ódio, o pessimismo, a revolta,
o desânimo, a inconformação…
e de fora para dentro, com os vícios,
a intemperança, a glutonaria, o sedentarismo…
resultado: retornamos antes da hora, expulsos
do corpo, como uma casa mal cuidada que
desmorona, obrigando o morador a deixá-la.
8 – Como evitar isso?
Cultivando aquela “vida abundante”
que jesus promete, aquela vida que vibra
em nossas veias, quando nosso cérebro
povoa-se de nobres ideais e o nosso coração
pulsa ao ritmo incessante de serviço
em favor do semelhante. Quando as pessoas
souberem como o magnetismo do bem renova
as células, cura as enfermidades,
sustenta a saúde e alegra a existência,
estarão dispostas a pagar qualquer
preço pela bênção
de servir.
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