1
– Sucedem-se os governos no Brasil
e perpetua-se a corrupção,
em todos os níveis de atividade,
na área pública e privada.
Está na alma do brasileiro?
A corrupção está na
alma da Humanidade, excrescência do
comportamento egoístico que caracteriza
os habitantes deste planeta de provas e
expiações. A preocupação
exacerbada com o próprio bem-estar
e, no caso, com os patrimônios materiais,
inspira e sustenta a desonestidade.
2
– Mas essa tendência parece
ser mais forte em nosso país.
A tendência é universal.
Ocorre que em países desenvolvidos
ela é melhor controlada e punida.
A impunidade no Brasil, principalmente
em relação aos que mais
se comprometem com a corrupção,
é assustadora. Com raras exceções,
somente os pobres vão parar na
cadeia.
3
– No seu entender, quais as medidas
que deveriam ser tomadas pelo governo?
Compete-lhe aprimorar os controles e instituir
mecanismos que levem à punição
exemplar dos infratores. Mas isso não
basta, já que sempre haverá
espertos capazes de burlar as leis. A
educação orientada para
a cidadania é o caminho mais acertado,
estabelecendo controles a partir da consciência
de que ser cidadão é, acima
de tudo, respeitar as leis.
4
– E quanto ao Espiritismo?
Há duas frentes de ação,
inspirando a honestidade. Em primeiro
lugar, também a educação,
não a formal, mas a educação
espiritual. Com a consciência de
que somos Espíritos imortais em
jornada de evolução na Terra,
onde nos compete combater os impulsos
egoísticos que favorecem a corrupção,
somos decisivamente estimulados a respeitar
as leis.
5
– E a segunda frente?
Mostrar que todos responderemos por nossas
ações quando retornarmos
ao Mundo Espiritual, em observância
plena à advertência de Jesus:
a cada um segundo suas obras.
6
– Essa advertência está
presente em todas as religiões,
sem muita ressonância no alma dos
fiéis. Por que o Espiritismo seria
mais convincente?
As noções das religiões
tradicionais sobre a vida espiritual são
fantasiosas. Falam das coisas do Além,
a partir de especulações
dos que vivem na Terra. O Espiritismo
fala a partir de informações
do que lá vivem, mostrando de forma
clara e incisiva as conseqüências
do comportamento humano.
7
– Qual seria o castigo da corrupção?
Diz Dante, em A Divina Comédia,
que os adeptos do princípio “com
dinheiro, qualquer não vira um
sim”, vão parar numa vala
de piche fervente, no inferno, atormentados
por demônios perversos. Suas fantasias
guardam algo da realidade espiritual.
Em O Céu e o Inferno, Allan Kardec
reporta-se a Espíritos comprometidos
com o erro, o vício, o crime, a
desonestidade, enquanto encarnados. Inúmeros
deles descrevem, em manifestações
mediúnicas, seus tormentos morais,
piche fervente em suas consciências,
reunidos, por afinidade, em correspondência
à natureza de seus crimes, em tenebrosos
vales de sofrimento.
8
– A honestidade seria o passaporte
para regiões mais amenas?
Sim, mas não basta cumprir as leis
dos homens. Sobretudo, é preciso
ser honesto perante Deus, como explica
o Espírito Joseph Brê, dirigindo-se
à sua neta, na obra citada: Honesto
aos olhos de Deus será aquele que,
possuído de abnegação
e amor, consagre a existência ao
bem, ao progresso dos seus semelhantes;
aquele que, animado de um zelo sem limites,
for ativo na vida; ativo no cumprimento
dos deveres materiais, ensinando e exemplificando
aos outros o amor ao trabalho; ativo nas
boas ações, sem esquecer
a condição de servo ao qual
o senhor pedirá contas, um dia,
do emprego do seu tempo; ativo finalmente
na prática do amor a Deus e ao
próximo.