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1
– Na questão 551, de O Livro
dos Espíritos, Kardec pergunta: “Pode
um homem mau, com o auxílio de um
mau Espírito que lhe seja dedicado,
fazer mal ao seu próximo?”
A resposta é surpreendente: “Não;
Deus não o permitiria.” Não
contraria os incontáveis casos de
pessoas perseguidas por Espíritos
que atendem à evocação
maldosa de gente que pretende prejudicá-las?
Há muita fantasia em torno do assunto,
envolvendo médiuns supostamente capazes
de “contratar” tais Espíritos,
supostamente dotados de poderes para prejudicar
as vítimas. Se isso fosse tão
simples estaríamos todos “fritos”,
conforme a expressão popular, à
mercê dessas influências.
02
– No entanto, é comum nos depararmos
com pessoas assustadas que foram informadas
de que estão “amarradas”
por artes desses “contratos”.
É a maneira desonesta usada por gente
especializada em impressionar os incautos.
Há muita ingenuidade da parte dos
consulentes e muita malandragem da parte
dos supostos “médiuns”,
amedrontando-os para mais facilmente tirar-lhes
dinheiro.
3 – Não obstante,
toda obsessão envolve influências
espirituais. Sejam evocadas por médiuns
ou tenham a iniciativa de Espíritos
malfazejos, não produzem males na
vítima?
Consideremos que um Espírito pode
nos ocasionar embaraços, envolvendo
as pessoas que nos rodeiam ou pressionando
nosso psiquismo, mas só será
capaz de nos molestar na intimidade da própria
consciência se reagirmos de forma
desajustada. Então, não é
o mal que nos faça que nos afetará,
mas o mal que asilarmos em reação
à sua influência. Se eu conseguir
manter a calma e o equilíbrio, sintonizado
com o bem e a verdade, não serei
atingido.
4
– Digamos que o Espírito obsidie
uma mulher, induzindo- a ao adultério.
Não estará fazendo mal ao
seu marido?
O mal está com quem o pratica, no
caso a esposa que cedeu à influência
do Espírito, por guardar tendências
compatíveis com o adultério.
Vai responder por isso. Se o marido, revelando
comportamento machista, agredi-la ou submetê-la
à execração pública,
então, sim, estará se envolvendo
com o mal.
5
– De qualquer forma, haverá
sofrimento para ele. Isso não é
um mal?
Não podemos confundir com o mal o
sofrimento decorrente de algum prejuízo
moral ou material que nos façam.
Ele está nos sentimentos negativos,
no ódio, no rancor, no desejo de
vingança…Se não os asilamos
no coração, esse mal “periférico”
nos fará crescer.
6
– Então o mal acaba se convertendo
num bem?
Sem dúvida, mesmo o mal que façamos
porquanto, contrariando as leis divinas,
somos penalizados por nossa própria
consciência que, mais cedo ou mais
tarde, nos imporá sofrimentos depuradores,
que nos converterão ao Bem.
7
– Por isso Jesus recomendava o perdão?
Não apenas sete vezes, mas setenta
vezes sete, perdão incondicional,
que tira o sofrimento maior, quando nos
causam prejuízos, ajudando-nos a
manter a própria integridade, sem
nos deixarmos arrastar ao revide, este sim,
o verdadeiro prejuízo, inspirado
pelo mal em nós, quando não
relevamos.
8
– Em resumo…
Nenhum Espírito nos induzirá
ao mal, se cultivarmos o bem. Mesmo diante
de prejuízos que nos cause, conservaremos
a própria integridade, evitando os
comprometimentos do desequilíbrio.
Consideremos, ainda, a questão vibratória,
quando assediados por Espíritos que
venham por encomenda ou por iniciativa própria:
não seremos afetados, desde que mantenhamos
uma conduta reta, firma, baseada em princípios
de fraternidade e respeito pelo próximo.
Atendendo à lei de sintonia psíquica,
nenhum Espírito mau nos envolverá
se sempre encontrar o bem a reinar em nosso
coração.
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