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1
– Como entender a postura do marido
de Terri Schiavo, a jovem americana em vida
vegetativa, que ganhou na justiça
o direito de retirar o tubo que a alimentava,
contrariando a vontade de seus pais?
Reprovável, sem dúvida. Ocorre
que o problema foi transferido para a área
judicial, envolvendo não mais uma
disputa familiar, mas o interesse do Estado,
que teria que arcar com a responsabilidade
dos gastos de perto de oitenta mil dólares,
anualmente.
2
– Dispõe-se de uma vida por
interesse econômico?
Não é novidade. Nos países
subdesenvolvidos, por medida de economia,
investe-se muito pouco em saúde.
Milhares de pessoas morrem à míngua
de assistência médica. A precariedade
de atendimento em unidades de terapia intensiva
(UTI) constrange os médicos a decidir
quem vai ser ligado aos aparelhos e quem
vai morrer.
3
– Como fica na espiritualidade o legislador
que condenou à morte a jovem, negando-lhe
o alimento?
Depende de sua postura. Se o fez com a convicção
de que estava atendendo à vontade
da própria paciente, a responsabilidade
será menor. Ela teria comentado com
o marido e amigas, antes de ficar doente,
que preferiria a morte, na hipótese
de ser submetida, eventualmente, a tal situação.
Se o fez atendendo aos interesses do Estado,
enfrentará sérias conseqüências.
4
– E o marido?
Consta que teria desistido da ação,
concordando com a tutela dos pais, o que
não foi possível, porque o
caso transferiu-se para a esfera do Estado,
constituindo uma disputa entre tribunais.
5
– O caso evoca a eutanásia.
Qual seria a postura espírita?
A Doutrina Espírita é frontalmente
contrária, como está bem definido
na questão 953, de O Livro dos Espíritos:
É sempre culpado aquele que não
aguarda o termo que Deus lhe marcou para
a existência. E quem poderá
estar certo de que, mau grado às
aparências, esse termo tenha chegado;
de que um socorro inesperado não
venha no último momento?
6
– Mesmo envolvendo pacientes terminais,
em grande sofrimento, sustentados por aparelhos?
Em casos assim, quando o paciente está
mais para lá do que para cá,
como se costuma dizer, quando a morte é
inevitável e iminente, eu não
consideraria uma eutanásia o desligamento
de aparelhos que não evitam a morte;
apenas prolongam a agonia. Temos um exemplo
bem atual sobre o assunto. Se o papa João
Paulo II concordasse em retornar ao hospital
poderia permanecer vivo por mais alguns
dias ou semanas, submetido à parafernália
hospitalar. No entanto, optou por morrer
em casa, atendendo à natureza, que
lhe acenava a hora do adeus.
7
– Você concorda, portanto, com
o desfecho do caso Terri Schiavo?
Não. Ela não era um paciente
terminal. Seu organismo, não obstante
as limitações impostas pela
enfermidade, estava saudável. Era
apenas uma dependente do tubo que a alimentava,
tanto quanto todos fomos dependentes dos
cuidados de nossos pais durante os primeiros
anos de existência.
8
– Qual a utilidade de uma situação
assim, em total dependência?
Para os pais, uma provação.
Quanto aos pacientes, tive oportunidade
de conversar com Espíritos nessa
situação. Alguns rebelados,
inconformados; outros, reconhecendo nessa
limitação valiosa experiência
de vida. Todo mal pode ser um bem, desde
que estejamos dispostos a aceitar os desígnios
divinos, fazendo o melhor.
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