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1
– Como situar “O código
Da Vinci”, best-seller mundial, que
tem suscitado muitas discussões em
torno de temas ali abordados?
É um bom romance policial, de tirar
o fôlego, que se lê com sofreguidão.
Dan Brown, o autor, consegue o prodígio
de desenvolver praticamente toda a história
em dois dias, num suceder de “ganchos”,
que prendem a atenção do leitor.
Mas é só isso, mera ficção
que tem por pano de fundo teorias conspiratórias
distanciadas da realidade, envolvendo a
Igreja Católica.
2
– Por que a evocação
do nome de Leonardo da Vinci?
Há vários enigmas que vão
sendo decifrados pelos personagens. Um deles
reporta-se a uma teoria do genial renascentista.
Ele é, também, situado como
suposto participante de uma sociedade secreta
que tinha a missão de revelar ao
Mundo, em época oportuna, um fato
subtraído dos textos evangélicos,
que afetaria profundamente a Igreja Católica.
3
– Que revelação?
A de que Maria Madalena não teria
sido simples coadjuvante na epopéia
evangélica. Casada com Jesus, estaria
grávida quando o Mestre foi crucificado,
deixando uma descendência que teria
se estendido até o nosso tempo.
4 – É uma fantasia
ou há algum fundamento?
É uma idéia presente em alguns
dos chamados evangelhos apócrifos,
de autenticidade duvidosa, como O Evangelho
de Maria de Magdala, O Evangelho de Felipe,
O Evangelho de Nicodemos. Sabiamente, a
nosso ver, foram excluídos por São
Jerônimo, no século IV, quando
fez a tradução latina da Bíblia,
dando origem à Vulgata, o texto bíblico
que hoje conhecemos.
5
– E por que teria sido suprimida essa
história?
Segundo Brown, porque Maria Madalena teria
assumido uma liderança que contrariava
as tendências machistas da época,
além da despertar ciúmes no
colégio apostólico. Chega
a conceber que no famoso afresco de Da Vinci,
sobre a última ceia, ela seria a
personagem à direita de Jesus.
6
– Há alguma evidência
a respeito?
Nenhuma. Brown usa essa idéia como
pano de fundo para a narrativa, repleta
de fantasias, culminando com a “revelação”
de que o corpo de Maria Madalena estaria
escondido debaixo do museu Louvre, em Paris.
7
– O que nos diz o Espiritismo a respeito?
Em toda a Codificação, sob
orientação da Espiritualidade,
nas obras complementares, e na contribuição
marcante de Chico Xavier, não há
uma só linha favorável a essa
suposta posição de Maria Madalena.
Há apenas a confirmação
de que ela foi uma discípula fiel,
que acompanhava o colégio apostólico
e que realizou uma obra missionária
após a morte de Jesus.
8
– Seria a pecadora arrependida?
Essa também é uma idéia
equivocada. Maria, segundo Lucas, sofria
uma obsessão movida por um grupo
de sete perseguidores espirituais (8:2).
Como no relato imediatamente anterior (7:36-50),
Lucas reporta-se à pecadora que ungiu
os pés de Jesus, ambas teriam sido
confundidas como uma única pessoa.
Há, também, quem afirme que
o estigma de prostituta, sustentado pela
machista ortodoxia medieval, tinha por finalidade
minimizar sua importância no movimento
cristão.
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