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01
– Os textos evangélicos falam
de um Reino Divino. O que seria?
No sentido mais amplo o reino divino é
o próprio universo, criação
de Deus, regido por suas leis. desde a mais
distante galáxia às dimensões
espirituais, inacessíveis ao entendimento
humano, permanecemos todos sob a égide
divina.
02
– Como definir essas leis?
Estão enunciadas no Evangelho. O
grande mérito de Jesus foi nos oferecer,
com ensinamentos que revelam a simplicidade
da sabedoria autêntica e a profundidade
da verdade revelada, uma visão da
legislação do reino, admiravelmente
sintetizada no capítulo sétimo
das anotações de mateus: Tudo
o que quiserdes que os homens vos façam,
fazei-o assim também a eles.
03
– Estamos perto do Reino?
Ao contrário. Estamos bem longe.
A característica fundamental do homem
é o egoísmo, algo incompatível
com a celeste legislação.
Não obstante, individualmente, temos
pessoas que cumprem os ditames do reino.
São aquelas que, combatendo o egoísmo
com todas as forças de sua alma,
procuram fazer algo em favor do próximo.
Jesus deixa claro que o reino será
sempre uma realização individual,
antes que se estenda à coletividade.
Por isso proclamou que o Reino está
dentro de nós.
04
– Como funciona o Reino dentro de
nós?
Como um estado de consciência. Se
nos sentimos em paz com a vida, coração
tranqüilo, harmonizados com os semelhantes,
capazes de vivenciar os princípios
cristãos, temos o Reino em nós,
mesmo que enfrentemos toda sorte de dificuldades
e dissabores.
05
– Vai demorar a instalação
do Reino na Terra?
É o que parece. Uma cidade não
pode ser denominada cidade sorriso se seus
habitantes são carrancudos. Ou cidade
das fábricas se elas são escassas.
Da mesma forma, num mundo onde o egoísmo
prevalece, onde as pessoas estão
longe do desprendimento e da solidariedade
que fazem o reino, ele está distante
como realização social.
06
– Há alguma nação
próxima do Reino?
Em países mais desenvolvidos há
uma legislação que combate
o individualismo, estimulando as pessoas
a assumirem suas responsabilidades. A sociedade
organizada controla e coíbe a desonestidade,
a corrupção, a criminalidade,
a violência, a irresponsabilidade,
diretamente relacionadas com o egoísmo.
É um começo. Mas falta-lhes
o cumprimento dos deveres essenciais, relacionados
com o semelhante. As pessoas são
mais responsáveis, defendem melhor
seus direitos, mas permanecem individualistas,
preocupadas com o próprio bem-estar.
Obrigam-se a cumprir as leis do país,
mas não cogitam da solidariedade.
Cada um cuida de si e o resto que se dane.
7
– E o Brasil? Estamos mais perto do
Reino?
Num país de tantas carências,
com níveis assustadores de pobreza,
onde é grande o número dos
chamados excluídos, onde a população
comete o grave equívoco de debitar
ao governo a solução desse
problema, sem envolver-se com a solução,
tomando a iniciativa, o egoísmo predomina.
Onde isso acontece, o Reino está
longe.
8
– Mas não aprendemos com o
Espiritismo que o Brasil é a Pátria
do Evangelho e o Coração do
Mundo?
Não é um princípio
doutrinário. Trata-se de uma tese
do espírito Humberto de Campos, no
livro Brasil, Coração do Mundo
Pátria do Evangelho, psicografia
de Francisco Cândido Xavier. Admitindo-se
que exprima uma realidade, estamos diante
de um programa de trabalho, um ideal, uma
meta a ser alcançada. Outras nações
fracassaram no passado em relação
às diretrizes do plano espiritual.
Também podemos fracassar, já
que, lamentavelmente, nosso comportamento
está longe de ser exemplar. Solidariedade,
compaixão, caridade também
são enunciados em nosso país
como virtudes raras. Numa “pátria
do evangelho” seriam deveres
elementares.
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