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1
– O que é a pena de talião?
Do latim talis, significa pena igual à
natureza do crime cometido. Suas origens
estão no Código de Hamurabi,
babilônico, de 1730 a.C. Surge em
destaque no Velho Testamento, com a expressão
mosaica (Êxodo, 21:23-25): Mas se
houver dano grave, então darás
vida por vida, olho por olho, dente por
dente, mão por mão pé
por pé, queimadura por queimadura,
ferida por ferida, golpe por golpe…
2
– A pena de talião não
recende vingança?
Sem dúvida, mas em sua época
representava um progresso, um início
de legislação disciplinadora
das ações humanas, substituindo
a chamada justiça pelas próprias
mãos, em estágio de barbárie.
3
– No âmbito da religião,
podemos situar a pena de talião como
lei divina? Deus pune dessa forma os delinqüentes?
Se considerarmos com Jesus que o criminoso
é um doente moral, não há
sentido em castigá-lo. Ele precisa
ser tratado. Se a própria justiça
humana começa a entender esse princípio
evangélico, como pretender que o
Criador, que enviou um emissário
para nos ensinar os valores do perdão,
submeta seus filhos a torturantes castigos?
4
– Por que, então, na questão
764, de O Livro dos Espíritos, diz,
peremptoriamente, o mentor que atendia a
Kardec: “A pena de talião é
a justiça de Deus. É Deus
quem a aplica. Todos vós sofreis
essa pena a cada instante, pois que sois
punidos naquilo em que haveis pecado, nesta
existência ou em outra. Aquele que
foi causa do sofrimento para seus semelhantes
virá a achar-se numa condição
em que sofrerá o que tenha feito
sofrer.”
No meu entender, o que o mentor espiritual
quer dizer é que todos responderemos
por nossas ações, atendendo
aos dispositivos de causa e efeito a que
estamos sujeitos. Todo mal praticado resulta
em males para nós, não por
cobrança divina, mas como imposição
da própria consciência. Não
necessariamente da mesma forma, mas na mesma
proporção.
5
– Poderia exemplificar?
Filhos de Deus, intrinsecamente estamos
destinados ao Bem. O mal será sempre
uma agressão que fazemos a nós
mesmos, lesionando os refolhos de nossa
alma. Essa lesão irá se manifestar
na forma de um problema físico ou
psíquico, em processo de depuração.
Se atiro no peito de alguém, matando-o,
estarei gerando um desajuste perispiritual
que mais cedo ou mais tarde dará
origem a um mal na região correspondente,
purgando o mal que pratiquei. Assim entendo
a justiça de Deus, a manifestar-se
a partir das reações de nossa
alma ao mal que praticamos.
6
– Se alguém me dá um
tiro, roubando-me a vida, isso não
estaria diretamente relacionado com o fato
de eu ter matado alguém assim?
Se assim fosse estaríamos perpetuando
o mal. Sempre deveria existir um “instrumento”
de Deus a fim de que o agressor sofresse
idêntico atentado. A justiça
não Deus não necessita do
concurso humano para cumprir-se.
7
– Assim raciocinando, diríamos
que quem morre de forma violenta não
está resgatando débitos, relacionados
com crimes cometidos?
Deus pode harmonizar tais eventos em favor
de resgates cármicos, o que não
significa que tudo aconteça por iniciativa
divina. Vivemos num planeta atrasado, regido
pelo egoísmo, onde muitos males acontecem
em virtude de nossas ações
desajustadas. E qualquer que seja o tipo
de morte que venhamos a enfrentar, num bombardeio,
num acidente, num assassinato, estará
justificado pelo fato de morarmos aqui.
Se não merecêssemos passar
por contingências dessa natureza,
iríamos morar onde elas não
acontecem. E elas deixarão de acontecer
em nosso planeta quando o mal daqui for
banido.
8
– Você diria que a pena de talião
funciona mais na intimidade da consciência
do que em virtude das contingências
humanas?
Isso está bem claro na própria
questão 764, quando o mentor diz:
Todos vós sofreis essa pena a cada
instante, pois que sois punidos naquilo
em que haveis pecado, nesta existência
ou em outra. Não estamos a “todo
instante” topando com contingências
trágicas, mas convivemos, permanentemente,
com estados íntimos de depuração,
a se manifestarem em enfermidades, angústias,
tristezas, transtornos íntimos, intranqüilidade,
infelicidade… Jesus já ensinara
isso ao proclamar que o Reino de Deus está
dentro de nós. O inferno também.
Depende do que fizemos no pretérito,
do que estamos fazendo no presente.
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