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- Estou enamorada de um homem casado, que
corresponde aos meus sentimentos. Devemos
nos harmonizar nesta existência, como
marido e mulher?
Parece-me que o problema de harmonização
envolve o casal constituído. A ligação
afetiva que pretendem iniciar situa-se para
ele como desvio de compromisso.
2
- E o princípio de que nada acontece
por acaso?
No mundo de causa e efeito em que vivemos,
realmente tudo o que acontece tem uma origem,
não é ocasional. As experiências
extraconjugais, por exemplo, são
fruto de impulsos passionais próprios
da animalidade humana.
3
- Mas sinto que há uma ligação
muito forte entre nós, um relacionamento
de vidas passadas.
Pode ser, mas esteja certa de que não
se reencontraram para incorrer em adultério
ou acabar com um casamento.
4
- E se ele se casou por imaturidade, antes
que nos encontrássemos?
Nem por isso deixou de assumir uma responsabilidade
que se sobrepõe, no presente, a hipotético
compromisso com você. A situação
agora é diferente. Há uma
família, há a responsabilidade
com os filhos.
5
- Mas não temos o direito de ser
felizes?
Temos todo direito de buscar a felicidade,
desde que ela não seja construída
sobre a infelicidade alheia. Imagine-se
no lugar da esposa traída. Gostaria
de ver seu marido deixando-a para viver
com outra?
6
- Então ninguém deveria se
casar em segundas núpcias?
Os ex-cônjuges tem o direito de refazer
sua vida no terreno afetivo, buscando nova
experiência. É diferente da
separação por influência
de alguém que se envolveu com um
deles.
7
- E como fico, se ele é tudo o que
quero nesta vida?
Em favor de nossa felicidade, não
devemos reduzir nossos desejos e aspirações
à consumação de uma
ligação afetiva. Há
assuntos muito mais importantes. Nossa realização
como filhos de Deus, por exemplo, pelo esforço
incessante de aprendizado e o aprimoramento
moral.
8
- Devo renunciar?
Renúncia envolve desistência
de um direito. seu caso é diferente.
Configura mero dever. O dever de respeitar
uma família, evitando tornar-se responsável
por sua dissolução.
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