Pingafogo

Viagem à Portugal

1 – Qual o objetivo de sua recente viagem a Portugal?
A intenção era participar de um ciclo de palestras, com o ensejo de divulgar meus livros e conhecer o movimento espírita português. Estive em inúmeras cidades, de norte a sul, durante trinta dias, com 29 palestras, em variadas cidades, dentre elas Leiria, Porto, Braga, Lisboa, Coimbra, Bragança, Lagos, Aveiro…

2 – Qual a sua impressão sobre o movimento espírita português?
Lá, como aqui, temos muitos companheiros que vibram com a Doutrina e empenham-se em divulgá-la. O movimento é pequeno, perto de 70 Centros Espíritas ligados à Federação Espírita Portuguesa, num país de 10 milhões de habitantes. O público varia entre 50 a 250 pessoas, dependendo do tamanho do Centro. Pessoal atento, interessado nos livros e nas palestras.

3 – Consta que a Doutrina Espírita esteve proscrita em Portugal, durante décadas…
Sim, durante a ditadura de Salazar. Foi a partir da instalação do regime democrático, em 1975, que o movimento espírita veio a se reorganizar, com muita dificuldade. Quase todas as casas espíritas funcionam em imóveis alugados, alguns em salas de edifícios comerciais.

4 – Em vários países da Europa há um movimento espírita brasileiro, formado por colônias de emigrantes brasileiros. Isso também acontece em Portugal?
Encontrei alguns brasileiros vinculados à Doutrina, mas o movimento é autenticamente português, feito por filhos da terra. Os dirigentes são bem articulados, conscientes da importância da Doutrina Espírita, na construção de um mundo melhor.

5 – Você notou algo de diferente na prática espírita portuguesa?
Minha participação estava restrita às palestras. Não tive um contato mais íntimo com o dia-a-dia das casas espíritas. Mas não me pareceu haver as distorções que notamos no Brasil. O pais é culturalmente mais desenvolvido e há uma consciência maior quanto à pureza doutrinária.

6 – Há uma literatura espírita portuguesa?
Sim, mas é incipiente, poucos títulos. Portugal teve um extraordinário médium psicógrafo, Fernando de Lacerda. Infelizmente, não deixou uma obra literária extensa. Poucos livros. A maioria das obras que circulam no pais é de autores brasileiros, particularmente Chico Xavier. Os livros de André Luiz e Emmanuel são muito apreciados.

7 – E os seus livros?
Tive o prazer de encontrá-los em vários Centros, tanto na biblioteca quanto em pequenas livrarias. Assim como acontece no Brasil, são muito utilizados por expositores espíritas. Vários falaram-me a respeito. Fiquei feliz.

8 – Considerando que em Portugal não há a miséria que conhecemos no Brasil e que o Estado ampara os desempregados, como fica a prática da caridade preconizada pela Doutrina?
Atender os pobres é apenas uma das faces da caridade. Podemos ser caridosos cuidando bem da família, consolando o aflito, esclarecendo o ignorante, cultivando o perdão, colaborando em atividades comunitárias, visitando presidiários e doentes. Há muito que se fazer no campo do Bem, tanto aqui como lá, atendendo ao propósito de servir, o combustível da caridade.


 

2010 - Richard Simonetti